Lula não confirma possível candidatura em 2022; assista entrevista

“Em 2022, partido vai discutir se vai ter candidato, se vai de frente ampla”, disse

Foto: Silvia Zamboni

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não quis dizer se será novamente candidato nas eleições de 2022. Em discurso e entrevista coletiva nesta quarta-feira, na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo (SP), Lula evitou até mesmo cravar que o candidato da esquerda será do PT. Para o líder petista, não é o momento de fazer essas definições. Assista no vídeo abaixo na íntegra!

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“Seria pequeno se tivesse pensando em 2022 neste instante”, disse Lula, respondendo a perguntas de jornalistas. “Agora o PT tem que colocar suas lideranças para andar o país, como Gleisi [Hoffmann, presidente nacional do PT] e Haddad [Fernando Haddad, ex-prefeito de São Paulo] estão fazendo. Tem momento para tudo, não podemos ficar respondendo se vamos ter candidato agora ou não.”

“Em 2022, o partido vai pensar no momento das convenções; discutir se vai ter candidato, se vai de frente ampla.”
Para Lula, “frente ampla” não significa a junção apenas de partidos e lideranças de esquerda, mas sim de forças de centro e conservadoras. “Você pode construir um programa que envolva setores conservadores, [que inclua] por exemplo a questão da vacina, do salário emergencial.”

“Se você colocar na frente a discussão eleitoral, você trunca qualquer evolução. Mas se você colocar os problemas do povo brasileiro na conversa com os setores conservadores, você pode produzir efeitos extraordinários”, afirmou.

“Vejo muita gente falar em frente ampla, com PCdoB, PT, Psol, PSB. Isso é uma frente de esquerda, não tem nada de ampla. Isso a gente faz desde 1989. Frente ampla é se a gente tiver capacidade de conversar com outras forças que não estão no espectro da esquerda. É possível”, disse o ex-presidente.

O petista disse ter iniciado um movimento de frente ampla em 2002, relembrando a aliança que fez com o empresário José Alencar, que foi seu vice por dois mandatos, e classificou aquele momento como “o mais promissor da história democrática do país”.

Para ele, o momento agora é de unir forçar para tratar dos problemas do país. A medida que as eleições presidenciais se aproximem, “as coisas vão acontecendo” e, por isso, não é preciso se preocupar agora com essa disputa, declarou.

Questionado sobre críticas feitas por políticos à “polarização política” provocada pela disputa entre ele e o presidente Jair Bolsonaro, Lula disse considerar o fenômeno algo positivo. “O PT polariza desde 1989. O PT sempre polarizou e espero que continue assim.”

Lula classificou parte dos eleitores de Bolsonaro como um “público milicianista” e disse que essa parcela de apoiadores pode se manter para as eleições de 2022. “Mas acho que ele [Bolsonaro] está provando que não é só com mentiras que governa o país.”

Ciro Gomes

Sobre o ex-governador Ciro Gomes (PDT), que na terça-feira declarou que Lula pode ter sido considerado inocente pela Justiça, mas que não é honesto, ele disse que o ex-aliado precisa se reeducar e deixar de “meninice” na política.

“Ciro deve assumir a responsabilidade de ser um homem de 64 anos. Se Ciro quer ser presidente, ele tem que respeitar as pessoas; ele primeiro tem que se reeducar. Se Ciro continuar com essas grosserias, não vai ter apoio da esquerda, não vai ter confiança da direita, vai ter menos votos”, disse Lula. “Ciro tem que aprender que humildade não faz mal a ninguém.”

Para o petista, Ciro “acha que é professor de Deus”. “Precisa aprender a respeitar, a tratar as pessoas com a respeitabilidade que acha que pode ser tratado”, disse Lula.

Este é o primeiro pronunciamento de Lula desde que o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou as condenações contra ele na 13ª Vara Federal de Curitiba, do ex-juiz Sergio Moro. Com a decisão, tomada na segunda-feira, os ações penais do tríplex do Guarujá, do sítio de Atibaia, e da sede e das doações ao Instituto Lula voltam à primeira instância no Distrito Federal. Lula recuperou seus diretos políticos.

Villas-Bôas

Lula disse que o ex-comandante do Exército, general Villas-Bôas, “errou grave” ao publicar um tuíte na véspera do julgamento do petista pelo STF indicando que haveria reação das Forças Armadas caso os ministros concedessem um habeas corpus pedido por Lula em abril de 2018.

“Não posso levar a sério uma carta do Clube Militar; nunca tive problema com militares. Fiquei preocupado é com a carta do [ex-comandante] Villas-Boas; ele não poderia fazer aquilo”, disse Lula. “Não quero Forças Armadas para ficar cuidando da saúde do país; é para cuidar da soberania. Eu acho que o Villas-Boas errou, errou grave.”

Lula ainda comentou sobre o apresentador de TV Luciano Huck, que estuda se candidatar a presidente em 2022. Ao saber da anulação das condenações de Lula, Huck disse que “figurinha repetida não completa álbum”. “Huck não sabe que figurinha repetida carimbada vale pelo álbum inteiro.”

Fonte: Valor Econômico