Acordo entre Copasa e AMM acelera tratamento de esgoto em 273 cidades mineiras

Medida permite inclusão de serviços de saneamento em contratos vigentes sem necessidade de novas licitações para atingir metas federais

Sirley de Araújo
Foto: Divulgação / Copasa

Um novo entendimento jurídico vai permitir que centenas de municípios mineiros avancem rapidamente nas metas de saneamento básico. O termo, assinado nesta quinta-feira (7), envolve a Copasa, a Associação Mineira de Municípios (AMM) e o Tribunal de Contas de Minas Gerais (TCE-MG). A medida beneficia diretamente 273 cidades que hoje contam apenas com o fornecimento de água da companhia.

Com a decisão, essas prefeituras podem incluir os serviços de coleta e tratamento de dejetos nos contratos atuais. O grande diferencial é a dispensa de novos processos de licitação, o que reduz a burocracia. A atualização será feita por meio de termos aditivos ou contratos substitutivos, respeitando a autonomia de cada prefeito.

De acordo com as regras estabelecidas, a expansão dos serviços depende do reequilíbrio financeiro dos contratos. Na prática, isso geralmente ocorre através da prorrogação dos prazos de concessão. O foco principal são as cidades de pequeno porte, que enfrentam maiores desafios para cumprir o Marco Legal do Saneamento até 2033.

Impactos na saúde e no meio ambiente

A formalização do compromisso busca resolver um problema histórico em Minas Gerais. Dados do TCE apontam que, das cidades envolvidas, a grande maioria possui menos de 11 mil habitantes. Atualmente, apenas uma pequena parcela desses locais realiza o tratamento efetivo do esgoto produzido pela população.

O conselheiro do TCE-MG, Agostinho Patrus, que coordenou as negociações, destacou os benefícios sociais da medida. “A medida representa ganhos significativos para a população e para o meio ambiente ao reduzir o lançamento de esgoto não tratado em rios e córregos, contribindo para a preservação dos recursos hídricos, a melhoria da saúde pública e a redução de doenças relacionadas à falta de saneamento”, afirmou.

Além do aspecto social, a ampliação da base de atendimento pode valorizar a Copasa em um eventual processo de privatização. Ao aumentar o número de clientes e serviços prestados, a percepção de valor da companhia no mercado tende a subir.

A presidente da Copasa, Marília Melo, demonstrou otimismo com o encerramento da Mesa de Conciliação. “Esperamos, em 2033, comemorar todo o esgoto tratado nesses 273 municípios”, declarou. Já o presidente da AMM, Lucas Vieira, reforçou que o pacto oferece segurança jurídica e autonomia para as gestões municipais decidirem sobre a adesão ao modelo.

Cidades regionais acompanham de perto as movimentações sobre o saneamento no estado, visto que a universalização dos serviços é uma prioridade para o desenvolvimento de todo o Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba.

Compartilhe este artigo
Nenhum comentário