A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) confirmou oficialmente nesta quarta-feira (13), pela primeira vez, que identificou a bactéria Pseudomonas aeruginosa em mais de 100 lotes de produtos acabados da Ypê. A informação foi apresentada durante reunião da diretoria colegiada da agência e amplia a gravidade do caso envolvendo a fabricante Química Amparo.
Até então, a existência da bactéria havia sido comunicada apenas pela própria empresa em notificações anteriores. Agora, a confirmação partiu diretamente da Anvisa após inspeção realizada na fábrica da companhia em Amparo, no interior de São Paulo.
Segundo o diretor-presidente da agência, Leandro Safatle, os fiscais encontraram 76 irregularidades na unidade industrial, incluindo falhas graves nos controles microbiológicos e problemas relacionados à segurança da produção. A inspeção foi conduzida em parceria com órgãos sanitários estaduais e municipais.
A investigação levou à suspensão da fabricação, comercialização e distribuição de diversos produtos da marca fabricados na unidade paulista. Entre os itens afetados estão detergentes lava-louças, sabões líquidos para roupas e desinfetantes com lotes terminados em número 1.
A Pseudomonas aeruginosa é uma bactéria considerada oportunista e associada principalmente a infecções em pessoas imunossuprimidas, idosos e pacientes hospitalares. Especialistas também apontam alta resistência do microrganismo a antibióticos.
A análise do recurso apresentado pela Química Amparo contra as medidas impostas pela Anvisa foi retirada da pauta desta quarta-feira e deverá voltar a ser discutida pela diretoria da agência na próxima sexta-feira (15).
Em nota, a Ypê afirmou que continua colaborando com a Anvisa e que apresentou laudos técnicos, documentos e medidas corretivas adotadas na fábrica para tentar reverter a suspensão.

