O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) lança nesta segunda-feira (4) o documentário “Sob o peso da tortura, o caso dos irmãos Naves”. A obra revisita um dos episódios mais dramáticos do direito brasileiro, ocorrido em Araguari, no Triângulo Mineiro. Além do audiovisual, o órgão publica uma série de sete reportagens especiais em seu portal oficial para marcar as nove décadas dessa tragédia jurídica. O evento de lançamento ocorre na Sala Humberto Mauro, em Belo Horizonte, voltado para convidados.
História de um erro histórico
A trama real começou na madrugada de 29 de novembro de 1937. Naquela data, Benedito Pereira Caetano desapareceu com uma quantia considerável de dinheiro. Ele era primo dos irmãos Sebastião José Naves e Joaquim Naves Rosa, que trabalhavam com cereais na cidade de Araguari. Logo após comunicarem o sumiço, a polícia transformou os irmãos em suspeitos de latrocínio.
Sob o rigor do Estado Novo, o tenente Francisco Vieira dos Santos assumiu as investigações. O militar utilizou sessões brutais de tortura para forçar uma confissão de culpa. No entanto, mesmo após serem absolvidos duas vezes pelo júri popular local, o Tribunal de Apelação decidiu condená-los a mais de 25 anos de prisão.
A reviravolta e o reconhecimento do erro
Os irmãos Naves cumpriram cerca de oito anos de pena em regime fechado antes de conquistarem a liberdade condicional. Contudo, a grande reviravolta aconteceu apenas em 1952. O primo “morto”, Benedito, reapareceu vivo, provando que nunca houve crime. Portanto, a justiça mineira reconheceu o erro apenas em 1953, absolvendo oficialmente os irmãos já marcados pela tragédia.Atualmente, o TJMG busca manter a memória viva para evitar que tais abusos se repitam. Por isso, a produção entrevistou historiadores, magistrados e descendentes dos envolvidos. Além da exibição na capital, o documentário terá uma sessão especial em Araguari nesta quarta-feira


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