O Triângulo Mineiro pode em breve ter um novo gasoduto de transporte. Um estudo recente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), ligada ao Ministério de Minas e Energia (MME), propõe a construção de um gasoduto de 260 km, conectando Iacanga (SP) a Uberaba (MG). O objetivo principal é impulsionar o desenvolvimento industrial da região.A previsão para esta obra foi detalhada no Plano Indicativo de Gasodutos de Transporte (PIG 2024), divulgado em 2025. O projeto prevê que a execução fique a cargo de agentes privados ou consórcios, sob a regulação da Agência Nacional do Petróleo (ANP), com apoio governamental e possível participação de estatais, como a Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig).
Setores estratégicos como o agroindustrial, de fertilizantes, siderurgia e termelétrico seriam diretamente beneficiados. O gás natural pode, inclusive, atrair grandes investimentos industriais. Mesmo em fase de estudo, o traçado do gasoduto passaria por áreas com grande potencial para a produção de biocombustíveis, cana-de-açúcar e soja, o que reforça o impacto positivo esperado.
Meio ambiente e impactos locais
O planejamento do gasoduto considera questões socioambientais e logísticas. O foco é minimizar impactos em áreas urbanas, vegetação nativa e unidades de conservação. Em Minas Gerais, a obra precisaria atravessar o rio Grande, entre Igarapava e Uberaba, o que já está sendo analisado.
A prefeita de Uberaba, Elisa Araújo, destaca a importância estratégica do projeto para a cidade. “Desde o início da nossa gestão, em 2021, trabalhamos para fortalecer o município como polo industrial. A chegada do gasoduto possibilita a instalação de indústrias como plantas de amônia, usinas termelétricas e projetos de biocombustíveis”, afirma a prefeita. Ela ainda menciona a participação de Uberaba como projeto piloto do programa federal “Gás para Empregar”.
Elisa Araújo também comenta que a iniciativa pode aumentar a oferta de gás natural e reduzir custos de logística, o que, por sua vez, estimula o crescimento industrial local. “Anunciamos a instalação de uma usina de biometano entre Uberaba e Uberlândia, com investimento de R$ 200 milhões. Essa unidade usará resíduos da cana e do agronegócio, reafirmando nosso compromisso com energia limpa”, completa a prefeita. Ela enfatiza que o projeto de biometano complementa o “Gás para Empregar”.
Histórico e panorama nacional
Em 2013, Uberaba foi escolhida para receber uma fábrica de fertilizantes da Petrobras. Na época, um gasoduto para viabilizar a planta foi anunciado, mas o projeto não saiu do papel. O canal, que partiria de Betim (RMBH) e custaria R$ 2,3 bilhões para percorrer 457 km até o Triângulo, ficou apenas no planejamento.
O PIG 2024 identificou oito projetos de gasodutos de transporte no Brasil, totalizando cerca de 2.300 km de extensão. Desses, apenas um passa por Minas Gerais. Os investimentos estimados para esses empreendimentos somam mais de R$ 29 bilhões. A expectativa é que as obras gerem mais de 80 mil empregos e aumentem o PIB brasileiro em mais de R$ 16 bilhões.
O papel do PIG e outros projetos
O PIG (Plano Indicativo de Gasodutos de Transporte) é um instrumento técnico que auxilia no planejamento da infraestrutura de gás natural e biometano no Brasil. É importante ressaltar que ele tem caráter indicativo, ou seja, não obriga a execução dos empreendimentos. A decisão de investir em um gasoduto é exclusiva dos agentes privados.
Contudo, a EPE, responsável pelo documento, declara que “embora o PIG não tenha caráter vinculante, ele é uma referência técnica relevante considerada pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e por outros órgãos públicos na formulação de políticas e definição de prioridades para o setor”.
Apesar das indicações para o Triângulo Mineiro, o Sul de Minas está mais próximo de receber um gasoduto. Em 16 de junho, o governador de Minas em exercício, Mateus Simões, reuniu-se com o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, para viabilizar a implantação de um gasoduto entre Extrema e Pouso Alegre.
As informações são do portal “O Fator”.
