Aldo Fabiano Angelotti foi condenado a 20 anos de prisão pelo Tribunal do Júri de Uberlândia pela morte da ex-esposa, Maria Cláudia Santos Freitas, de 44 anos. O julgamento aconteceu nesta quinta-feira (5), no Fórum da cidade, e se estendeu por cerca de dez horas.

Os jurados acolheram integralmente a tese do Ministério Público e reconheceram que o crime foi cometido por motivo torpe, sem chance de defesa da vítima e caracterizado como feminicídio. Após a sentença, o juiz determinou que Aldo continue preso no Presídio Professor Jacy de Assis, onde está desde 5 de dezembro de 2024.
De acordo com a denúncia, Aldo provocou de forma intencional um acidente de trânsito para simular uma colisão e, com isso, tentar receber um seguro de vida no valor de R$ 1 milhão. O caso aconteceu no dia 30 de agosto de 2024, no bairro Laranjeiras.
A investigação da Polícia Civil apontou que o réu desativou manualmente o airbag do lado da passageira e, em seguida, jogou o carro contra uma árvore. Enquanto o dispositivo de segurança de Maria Cláudia não funcionou, o airbag do motorista foi acionado, o que fez com que Aldo tivesse apenas ferimentos leves.
A perícia também descartou a versão apresentada por ele à época, de que o sol teria atrapalhado a visão. Segundo os investigadores, não havia marcas de frenagem na pista, o sol não estava em posição que comprometesse a visibilidade e a árvore atingida era a única do local capaz de provocar ferimentos daquela gravidade. O velocímetro do veículo ficou travado em 60 km/h, acima do limite permitido na via, que é de 40 km/h.
As apurações revelaram ainda que o relacionamento do casal era conturbado. Em 2023, Maria Cláudia chegou a registrar um boletim de ocorrência contra Aldo após ser ameaçada de morte. Eles se separaram, mas retomaram o relacionamento no início de 2024, o que, para a polícia, já teria ocorrido com a intenção de execução do crime.
Outro ponto levantado pela investigação foi a contratação de seguros de vida pouco tempo antes da morte. A apólice mais recente, no valor de R$ 1 milhão, foi assinada cerca de 20 dias antes do ocorrido, tendo Aldo como um dos beneficiários. O pagamento foi bloqueado a pedido dos investigadores, que apontaram risco de fuga.
Mesmo após a prisão, Aldo Fabiano Angelotti negou o crime e insistiu na versão de acidente, argumento que não convenceu os jurados, que votaram pela condenação.
