Kwid: o carro que chegou pequeno e fez o mercado repensar o segmento

Sirley de Araújo
Foto: Divulgação

Quando a Renault lançou o Kwid no Brasil em 2017, a promessa era simples: um carro pequeno, barato e com interior surpreendentemente generoso para o tamanho externo. Oito anos depois, o preço do kwid segue sendo um dos principais argumentos de venda do modelo, mas o que mudou foi o nível de equipamento que acompanha esse valor. O Kwid de hoje não é mais só o carro mais acessível do mercado. É um subcompacto com conectividade sem fio, controles de tração e estabilidade de série e um porta-malas de 290 litros que compete de igual para igual com hatches de categoria superior.

Por que o Kwid funciona tão bem no interior

Cidades como Uberlândia, Uberaba e Ituiutaba têm em comum um perfil de mobilidade que favorece exatamente o que o Kwid entrega. Ruas com movimento moderado, distâncias urbanas curtas a médias e uma demanda crescente por carros econômicos para uso diário sem complicações mecânicas. O motor 1.0 tricilíndrico flex, com 71 cv e câmbio manual de cinco marchas, foi desenvolvido para esse tipo de uso. O consumo chega a 15,7 km/l na estrada com gasolina e 11 km/l na cidade com etanol, números que fazem diferença real no orçamento de quem abastece toda semana.

O peso do carro contribui para essa eficiência: com apenas 818 kg, o Kwid é um dos mais leves do mercado nacional, o que se traduz em agilidade no trânsito urbano e menor desgaste de componentes ao longo do tempo. A direção elétrica leve e a suspensão com altura em relação ao solo acima da média para a categoria, resultado da origem indiana do projeto, tornam o modelo mais versátil em pisos irregulares do que boa parte dos concorrentes de mesmo tamanho.

Quatro versões com lógica clara

A linha atual se organiza em quatro configurações. A Zen é a versão de entrada, com quatro airbags, controle de tração e estabilidade e sistema de som com Bluetooth. A Intense adiciona câmera de ré e espelhamento de tela via central multimídia com Android Auto e Apple CarPlay sem fio, recurso que poucas versões de entrada de outros modelos oferecem nessa faixa. A Intense Pack Biton traz a mesma configuração da Intense com opções de pintura em dois tons, combinando teto contrastante com a cor da carroceria.

A Outsider é a versão que chama mais atenção nas ruas: estilo aventureiro com proteções nas extremidades, detalhes em laranja, tecido exclusivo nos bancos e acabamento diferenciado que faz o carro parecer maior e mais robusto do que realmente é. Assim como o Fiat Mobi Trekking, a Outsider aposta no visual offroad para atrair quem quer personalidade sem pagar pelo porte de um SUV.

O mercado de usados e o que procurar

Com presença sólida desde 2017, o Kwid tem boa oferta de seminovos em todo o país, especialmente nas versões Intense e Outsider das linhas 2020 em diante. Para o comprador de interior que quer um carro econômico com peças acessíveis e manutenção previsível, o modelo usado é uma opção racional.

O motor 1.0 tricilíndrico é simples e bem documentado por oficinas independentes, mas exige atenção às revisões de correia dentada dentro dos quilometragens recomendados, componente sensível nesse tipo de propulsor. Verificar esse histórico é o primeiro passo antes de fechar qualquer negócio. A suspensão dianteira do tipo McPherson e traseira de eixo de torção tem fama de ser mais barulhenta em pisos ruins com o passar do tempo, ponto que vale checar numa avaliação presencial antes da compra.

Consultar a Tabela Fipe antes de negociar protege o comprador de pagar acima do valor de mercado, especialmente nas versões Outsider, que por terem mais apelo visual costumam aparecer com preços acima da referência tabelada em algumas regiões.

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