A faixa etária entre 35 e 49 anos concentra a maior parte das transações em plataformas de apostas online, respondendo por 40,97% do volume total e 40,35% do valor movimentado no setor. O grupo é composto majoritariamente pela geração conhecida como “millennials”, que se destacam pelo uso frequente de meios digitais e pela recorrência nas operações.
Esse comportamento está associado à familiaridade com tecnologia e à estabilidade financeira relativa dessa geração, fatores que contribuem para maior participação no mercado. A combinação entre acesso digital e frequência de uso sustenta a relevância desse público, que também acompanha de perto variações de odds e diferentes modalidades disponíveis nas plataformas.
Dados sobre o perfil do apostador brasileiro reforçam esse cenário. Levantamento da casa de apostas KTO indica que a maior concentração etária está entre 25 e 40 anos, com 42,1% dos usuários, seguida pela faixa de 41 a 56 anos, com 24,6%. A predominância masculina (59%) ainda é observada, embora haja participação feminina significativa (41%).
No recorte socioeconômico, classes médias concentram a maior parte dos apostadores, com destaque para os grupos C1 e B1, que juntos representam 47% do total. A escolaridade também é elevada: a maioria possui ao menos ensino médio completo, o que indica um público com acesso à informação e familiaridade com plataformas digitais, incluindo análise de odds antes de realizar apostas.
Entre os apostadores esportivos, as odds mais buscadas incluem o resultado final, que responde por 40,01% das apostas, seguido por total de gols (11,40%) e ambos os times marcam (4,39%). Esses dados mostram preferência por opções mais diretas, embora mercados alternativos também ganhem espaço conforme o usuário se familiariza com os diferentes tipos de opções disponibilizadas.
O futebol lidera com ampla vantagem, reunindo 64,15% dos usuários ativos e 87,89% das apostas registradas. Modalidades como basquete e tênis aparecem na sequência, com participações menores. Nos campeonatos, competições nacionais e europeias concentram a maior parte das apostas, como o Brasileirão (9,65%) e a Premier League (5,22%).
Em relação ao momento das apostas, a maioria ocorre antes do início dos eventos (48,91%), seguida pelas apostas ao vivo (41,19%). Esse comportamento indica que parte dos usuários acompanha as partidas em tempo real, ajustando decisões conforme o andamento dos jogos e as variações das odds.
O comportamento de uso revela frequência variada. Parte dos usuários aposta ocasionalmente, enquanto uma parcela menor mantém atividade semanal ou diária. Entre as principais motivações estão entretenimento (72%) e complemento de renda (38%), embora o gasto médio permaneça controlado, com ticket médio de R$ 61,52 e predominância de depósitos abaixo de R$ 100.
Apesar do crescimento do setor e da diversificação do perfil dos usuários, o ambiente regulatório tem avançado com medidas de controle. O governo federal determinou a proibição de depósitos de benefícios sociais em plataformas de apostas online.
A medida, que atinge beneficiários do Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada (BPC), entrou em vigor em dezembro de 2025. A portaria prevê que casas de apostas consultem bases de dados oficiais para impedir tanto a abertura de contas quanto novos depósitos por parte desses beneficiários. Parte dos efeitos foram suspensos por decisão do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF).

