PF detalha esquema familiar usado para tráfico internacional de cocaína em Uberlândia; entenda

Investigação da Polícia Federal detalha esquema empresarial de grupo familiar ligado ao PCC que usava o Triângulo Mineiro como base operacional.

Lorena Marques
Foto: PF/Divulgação

A Polícia Federal (PF) desarticulou uma organização criminosa familiar que utilizava uma complexa estrutura empresarial para traficar drogas pelo país. Durante a Operação Mens Occulta, os investigadores descobriram que o grupo usava a cidade de Uberlândia como o seu principal centro operacional. A facção utilizava o município mineiro para receber, armazenar e redistribuir carregamentos de cocaína que vinham de outros estados brasileiros.

A estrutura empresarial do crime

De acordo com as investigações da PF, o traficante liderava a organização criminosa. Ele geria o grupo como se fosse uma empresa legítima de logística.

Para movimentar toneladas de drogas e lavar o dinheiro do crime, a quadrilha contava com:

  • Caminhões e carretas próprios;
  • Transportadoras de fachada;
  • Motoristas profissionais recrutados;
  • Contas bancárias em nome de terceiros (“laranjas”).

Além disso, a organização criminosa envolvia diretamente o núcleo familiar. A polícia aponta a participação ativa da esposa, das filhas e de um ex-genro do líder no controle financeiro do esquema.

Logística sofisticada e uso de ‘laranjas’

Com o objetivo de despistar a polícia, os criminosos registravam a frota de veículos em nome de pessoas sem renda compatível com os bens. Do mesmo modo, o grupo utilizava transportadoras registradas formalmente, mas que apresentavam indícios claros de fraude. Essas empresas não tinham funcionários contratados e movimentavam valores totalmente incompatíveis com a atividade declarada de transporte de cargas.

Durante o monitoramento da quadrilha, os agentes federais realizaram diversas apreensões expressivas de entorpecentes. No total, a PF confiscou cargas de 312 kg, 125 kg, 126 kg, 425 kg, 423 kg e 368 kg de cocaína, além de outros 144 tabletes da droga. Os criminosos escondiam as substâncias em compartimentos falsos nas cabines dos caminhões ou dentro de pneus sobressalentes.

Foto: PF/Divulgação

Rota interestadual da cocaína

Segundo os dados da Polícia Federal, os carregamentos de drogas saíam principalmente de Rondônia, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Esses estados fronteiriços são considerados estratégicos para a entrada de entorpecentes no Brasil.Posteriormente, os motoristas transportavam a droga até o Triângulo Mineiro. A partir de Uberlândia, a organização distribuía os carregamentos de cocaína para outras cidades de Minas Gerais e demais regiões brasileiras. Atualmente, os investigados respondem por tráfico interestadual de drogas, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro.

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