A Polícia Federal (PF) desarticulou uma organização criminosa familiar que utilizava uma complexa estrutura empresarial para traficar drogas pelo país. Durante a Operação Mens Occulta, os investigadores descobriram que o grupo usava a cidade de Uberlândia como o seu principal centro operacional. A facção utilizava o município mineiro para receber, armazenar e redistribuir carregamentos de cocaína que vinham de outros estados brasileiros.
A estrutura empresarial do crime
De acordo com as investigações da PF, o traficante liderava a organização criminosa. Ele geria o grupo como se fosse uma empresa legítima de logística.
Para movimentar toneladas de drogas e lavar o dinheiro do crime, a quadrilha contava com:
- Caminhões e carretas próprios;
- Transportadoras de fachada;
- Motoristas profissionais recrutados;
- Contas bancárias em nome de terceiros (“laranjas”).
Além disso, a organização criminosa envolvia diretamente o núcleo familiar. A polícia aponta a participação ativa da esposa, das filhas e de um ex-genro do líder no controle financeiro do esquema.
Logística sofisticada e uso de ‘laranjas’
Com o objetivo de despistar a polícia, os criminosos registravam a frota de veículos em nome de pessoas sem renda compatível com os bens. Do mesmo modo, o grupo utilizava transportadoras registradas formalmente, mas que apresentavam indícios claros de fraude. Essas empresas não tinham funcionários contratados e movimentavam valores totalmente incompatíveis com a atividade declarada de transporte de cargas.
Durante o monitoramento da quadrilha, os agentes federais realizaram diversas apreensões expressivas de entorpecentes. No total, a PF confiscou cargas de 312 kg, 125 kg, 126 kg, 425 kg, 423 kg e 368 kg de cocaína, além de outros 144 tabletes da droga. Os criminosos escondiam as substâncias em compartimentos falsos nas cabines dos caminhões ou dentro de pneus sobressalentes.

Rota interestadual da cocaína
Segundo os dados da Polícia Federal, os carregamentos de drogas saíam principalmente de Rondônia, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Esses estados fronteiriços são considerados estratégicos para a entrada de entorpecentes no Brasil.Posteriormente, os motoristas transportavam a droga até o Triângulo Mineiro. A partir de Uberlândia, a organização distribuía os carregamentos de cocaína para outras cidades de Minas Gerais e demais regiões brasileiras. Atualmente, os investigados respondem por tráfico interestadual de drogas, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro.

