Agro ganha força em Brasília e pressiona Congresso por crédito, seguro rural e segurança jurídica

Hosa Freitas
Foto: Divulgação - Hosa Freitas

A retomada da força política organizada da bancada ruralista dentro da Câmara dos Deputados. Em meio ao avanço do endividamento no campo, aumento da inadimplência rural, pressão sobre o crédito agrícola e discussões sobre o próximo Plano Safra, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) conseguiu acelerar uma série de projetos estratégicos para o setor.

A articulação envolve diretamente o presidente da FPA, deputado Pedro Lupion, e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta. Dos 19 temas previstos no chamado “Dia do Agro”, 13 estavam diretamente ligados aos interesses da bancada ruralista, incluindo propostas de grande impacto econômico e regulatório.

Entre os principais temas defendidos pelo setor produtivo estão a renegociação de dívidas rurais, a ampliação do crédito agrícola, o fortalecimento do seguro rural e novos incentivos à indústria nacional de fertilizantes. A pauta abrange também a flexibilização de exigências ambientais ligadas ao financiamento, a proteção de cultivares e projetos voltados para a garantia da propriedade privada e a segurança jurídica no campo.

Essa forte movimentação ocorre em um momento de profunda preocupação com o aumento dos custos de produção, juros elevados, problemas climáticos e severas dificuldades de acesso ao crédito. 

Parlamentares ligados ao setor avaliam que a crise financeira no campo já começa a impactar cooperativas, revendas, o comércio regional e os municípios que dependem diretamente do agronegócio, especialmente em regiões produtoras de destaque como o Triângulo Mineiro.

Crédito em risco e a corrida contra o tempo em Brasília

A resposta da Câmara foi destravar requerimentos de urgência para acelerar as propostas consideradas prioritárias. Nos últimos dias, avançaram os projetos ligados ao seguro rural, as propostas de incentivo à indústria nacional de fertilizantes, as medidas relacionadas à gestão de risco do crédito rural, além de mudanças na Lei de Proteção de Cultivares e projetos envolvendo cooperativas e fundos regionais de desenvolvimento.

Nos bastidores do Congresso, a leitura é de que a bancada ruralista tenta aprovar essas medidas antes da intensificação das negociações do novo Plano Safra, considerado estratégico para evitar um agravamento da crise financeira no campo. A principal preocupação atual envolve justamente o crédito e a inadimplência agrícola, que passou a acender um alerta não apenas para os produtores, mas também para bancos públicos, cooperativas financeiras e o mercado financeiro como um todo.

Em entrevista o deputado Pedro Lupion disse que “não adianta ter o Plano Safra mais mirabolante da década se o produtor endividado não conseguir acessar o crédito no banco. Precisamos resolver isso, renegociar essas dívidas. Estamos chegando a um ponto sem volta.” Declarou o presidente da FPA.

O argumento central do setor é de que os produtores vêm sendo sufocados simultaneamente por fatores que fogem ao seu controle, como os juros elevados, o aumento dos custos operacionais, o clima irregular, a perda de margem, as oscilações do mercado internacional e o endurecimento de regras ambientais vinculadas ao financiamento agrícola. A pressão política ficou ainda mais evidente com a convocação de uma sessão extraordinária do Congresso Nacional nesta quinta-feira, um movimento incomum fora do eixo tradicional de votações do início da semana. 

Oficialmente, a convocação mirou a análise de vetos ligados à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026. Na prática, o ambiente reforçou as negociações envolvendo orçamento, crédito e espaço fiscal para programas do agronegócio, uma vez que políticas essenciais como a equalização de juros, o seguro agrícola e os financiamentos subsidiados dependem diretamente do caixa federal. Sem esse espaço orçamentário, o próprio mercado já reconhece que será difícil sustentar um Plano Safra robusto em 2026.

Como parte das matérias não foi concluída, a expectativa em Brasília é de continuidade da pauta ruralista já na próxima terça-feira. Devem voltar ao plenário temas como a ampliação do seguro rural, mudanças nas regras ambientais vinculadas ao crédito, incentivos à produção de fertilizantes e a criação de mecanismos nacionais de gestão de risco agrícola, além de projetos ligados à segurança jurídica e à propriedade rural. Também seguem no radar discussões envolvendo invasões de terra, licenciamento ambiental, competência de órgãos reguladores e limites para a fiscalização no campo.

O movimento observado mostra que o agronegócio deixou de atuar apenas de forma defensiva e passou a pautar as grandes decisões econômicas do país. Para regiões fortemente dependentes do setor, como os municípios do Triângulo Mineiro, o resultado dessas votações poderá impactar diretamente o volume de crédito disponível, os investimentos locais, a geração de empregos e a dinâmica de toda a atividade comercial e econômica regional nas próximas semanas.

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