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Início / Notícias / Agro / Alta dos fertilizantes pode abrir nova oportunidade para os bioinsumos no Brasil
Agro

Alta dos fertilizantes pode abrir nova oportunidade para os bioinsumos no Brasil

Escalada dos custos, puxada sobretudo pelos nitrogenados importados, recoloca os insumos biológicos no centro da estratégia do agronegócio, embora o segmento ainda tenha participação limitada no mercado nacional. 

Eloi Naves
Por
Eloi Naves
Publicado 23 de março de 2026, 5:00
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Horta da UFPR, no Paraná
Horta com biofertlizante na UFPR - ParanáFoto: Samira Chami / UFPR

A alta dos fertilizantes voltou a acender no agronegócio brasileiro o debate sobre a adoção de bioinsumos como alternativa para reduzir custos, ampliar a eficiência produtiva e diminuir a dependência externa. O movimento ocorre em meio à pressão sobre os preços dos adubos, especialmente dos nitrogenados, em um cenário internacional impactado pela escalada de tensões no Oriente Medio após os ataques dos EUA e Israel ao Irã, além da forte exposição do Brasil às importações. Hoje, entre 80% e 90% dos fertilizantes usados no país vêm do exterior.

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Nesse contexto, os bioinsumos voltam a ganhar espaço como uma possível resposta de médio e longo prazo para o produtor rural. Apesar disso, o mercado ainda é considerado de nicho no Brasil, com participação inferior a 10% no conjunto dos insumos agrícolas, segundo informações repercutidas neste domingo.  

Mesmo com essa fatia ainda restrita, o setor mostra sinais de expansão. Dados recentes do mercado indicam que o Brasil já reúne cerca de 200 empresas de biológicos e mais de 1.500 produtos registrados, com expectativa de avanço de 17% em 2026. Na safra 2024/2025, o segmento de bioinsumos superou R$ 7 bilhões em movimentação no país, colocando o Brasil entre os três maiores mercados do mundo.  

A leitura do setor é que a alta dos fertilizantes tradicionais pode acelerar essa transição, sobretudo em culturas de grande escala, como soja e milho. Ainda assim, especialistas apontam que os bioinsumos não substituem integralmente os fertilizantes minerais em todas as situações e, por isso, tendem a avançar mais como complemento de manejo do que como solução única. Essa combinação é vista como uma forma de elevar a eficiência agronômica e reduzir parte da exposição à volatilidade internacional.  

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Além da pressão de custos, outro fator que favorece o debate é o amadurecimento gradual do mercado. Estudos apontam crescimento da área tratada com bioinsumos nos próximos anos, embora a expansão da receita possa ocorrer em ritmo menor por causa do aumento da concorrência e do avanço da produção on farm. Isso mostra que o setor ganha tração, mas ainda enfrenta desafios para consolidar escala, padronização e previsibilidade de resultados no campo.  

Para o agro brasileiro, a discussão ganha relevância estratégica. Em um ambiente de custos pressionados e margens mais apertadas, os bioinsumos aparecem menos como tendência passageira e mais como alternativa concreta de diversificação tecnológica. O avanço, porém, deve ocorrer de forma gradual, à medida que o produtor buscar soluções que combinem produtividade, sustentabilidade e menor dependência dos insumos importados.  

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