Biocombustíveis podem adicionar R$ 403 bilhões ao PIB brasileiro até 2030, aponta FGV

Estudo projeta avanço econômico impulsionado por etanol, biodiesel, SAF e diesel verde; setor também deve ampliar investimentos e geração de empregos

Eloi Naves
Usina CMAA - Companhia Mineira de Açúcar e Álcool - em Uberaba/MG
CMAA - Companhia Mineira de Açúcar e Álcool - é uma das grandes indústrias do setor.Foto: CMAA

Os biocombustíveis podem adicionar R$ 403,2 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil até 2030, segundo projeções da Fundação Getulio Vargas (FGV). A expectativa é de que o avanço da produção e do consumo de combustíveis renováveis fortaleça a economia nacional, impulsione investimentos industriais e aumente a participação brasileira no mercado global de energia limpa.

O levantamento considera a expansão de cadeias ligadas ao etanol, biodiesel, biometano, combustível sustentável de aviação (SAF) e diesel verde. A avaliação é de que o Brasil reúne vantagens competitivas pela forte produção agrícola, disponibilidade de matéria-prima e experiência consolidada no setor de energia renovável.

Além do impacto econômico direto, a expansão dos biocombustíveis também pode estimular empregos em áreas como agronegócio, logística, indústria química, transporte e tecnologia. O crescimento da demanda global por combustíveis de baixa emissão é apontado como um dos principais fatores para novos aportes no país.

Segundo o estudo, o cenário internacional de descarbonização e redução das emissões de gases de efeito estufa abre espaço para que o Brasil amplie sua relevância no mercado energético mundial. A produção nacional baseada em cana-de-açúcar, soja e milho aparece como diferencial competitivo diante de outros países.

O levantamento também destaca que políticas públicas voltadas à transição energética e ao incentivo de combustíveis renováveis contribuem para ampliar a atratividade do setor. Entre os movimentos esperados estão investimentos em novas usinas, ampliação de plantas industriais e desenvolvimento de combustíveis sustentáveis voltados principalmente à aviação.

Outro ponto observado é o aumento do interesse de investidores estrangeiros em projetos ligados ao mercado de baixo carbono no Brasil. Empresas globais de energia e grupos do agronegócio vêm ampliando estudos e aportes no segmento, especialmente diante da perspectiva de crescimento do SAF e do diesel renovável nos próximos anos.

A avaliação do setor é que o avanço dos biocombustíveis pode ajudar o país a reduzir a dependência de combustíveis fósseis e fortalecer a segurança energética nacional.

Brasil amplia espaço na produção de energia renovável

A projeção da FGV reforça o protagonismo brasileiro na produção de energia renovável. O país possui uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo e segue ampliando investimentos em alternativas consideradas menos poluentes.

Nos últimos anos, a indústria de biocombustíveis ganhou espaço nas estratégias de sustentabilidade adotadas por empresas e governos. O avanço tecnológico e a pressão internacional por redução de emissões também impulsionam o setor.

A expectativa é de que regiões ligadas ao agronegócio concentrem boa parte dos novos investimentos previstos até o fim da década.

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