Nova braquiária da Embrapa promete mais produtividade e ganho na pecuária

Cultivar BRS Carinás pode produzir até 16 toneladas por hectare, elevar o ganho de peso do rebanho e melhorar a eficiência das pastagens no Cerrado

Eloi Naves
Nova espécie foi desenvolvida pela Embrapa
Cultivar BRS Carinás foi desenvolvida pela EmbrapaFoto: Juliana Sussai / Embrapa

A pecuária brasileira acaba de ganhar uma nova alternativa para aumentar a produtividade no campo. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em parceria com a Unipasto, lançou a BRS Carinás, a primeira cultivar nacional da espécie Brachiaria decumbens, com potencial de elevar significativamente o desempenho das pastagens.  

Desenvolvida especialmente para o bioma Cerrado, a nova braquiária se destaca pela alta produção de forragem, podendo alcançar até 16 toneladas de matéria seca por hectare ao ano.  

Alta produtividade e mais alimento para o gado

Um dos principais diferenciais da BRS Carinás é a maior produção de folhas, parte mais nutritiva da planta para o rebanho. Além disso, a cultivar apresenta rápida rebrotação, acumulando cerca de quatro toneladas de massa seca em apenas 60 dias no início do período chuvoso.  

Na prática, isso se traduz em mais alimento disponível no pasto e melhor desempenho animal, com ganho de peso por hectare cerca de 12% superior em comparação à tradicional braquiária Basilisk, conhecida como “braquiarinha”.  

Outro avanço importante está na capacidade de suporte das pastagens, permitindo a criação de mais animais na mesma área, o que amplia a eficiência produtiva sem necessidade de expansão territorial.  

Melhor desempenho na seca e adaptação ao Cerrado

A nova cultivar também foi desenvolvida para enfrentar um dos principais desafios da pecuária: a escassez de alimento durante a seca.

Quando manejada para uso no período seco, a BRS Carinás pode oferecer até 40% mais forragem em relação à Basilisk, garantindo alimentação para o rebanho mesmo nos momentos mais críticos.  

Além disso, apresenta alta rusticidade, com boa adaptação a solos ácidos e de baixa fertilidade, comuns em grande parte das áreas de pastagem do Brasil.  

Integração lavoura-pecuária e sustentabilidade

Outro ponto estratégico da nova braquiária é sua utilização em sistemas de Integração Lavoura-Pecuária (ILP). A cultivar produz grande volume de palhada, essencial para o plantio direto, e não interfere na produtividade de culturas como soja e milho.  

Com isso, além de aumentar a produção de carne por área, a tecnologia contribui para a conservação do solo, melhora a ciclagem de nutrientes e reduz custos com fertilizantes ao longo do tempo.  

Alternativa à braquiarinha e avanço tecnológico

Por décadas, a cultivar Basilisk dominou as pastagens brasileiras. Com a chegada da BRS Carinás, a expectativa é diversificar os sistemas produtivos e elevar o nível tecnológico da pecuária nacional.  

A nova forrageira surge como uma solução para produzir mais carne por hectare, com maior eficiência e sustentabilidade — um dos principais desafios do agro brasileiro nos próximos anos.

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