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Regionalzão – Maior portal do interior de Minas > Notícias > Agro > Brasil fecha 2025 com recorde de registros de agrotóxicos, impulsionado por bioinsumos
Agro

Brasil fecha 2025 com recorde de registros de agrotóxicos, impulsionado por bioinsumos

Alta de 37% nos registros contraria discurso de redução e reforça avanço de produtos biológicos e novas moléculas químicas

Eloi Naves
Por
Eloi Naves
Publicado 6 de janeiro de 2026, 6:00
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O Brasil encerrou 2025 com um novo recorde no registro de agrotóxicos e produtos afins. Segundo balanço divulgado no domingo (4) pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), foram 912 novos registros ao longo do ano – um crescimento de 37% em relação a 2024, quando o país já havia atingido a marca histórica de 663 autorizações.

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O resultado chama atenção por ocorrer sob o governo do presidente Lula, que durante a campanha defendia uma política de redução do uso de agrotóxicos. Na prática, os números indicam uma ampliação do portfólio regulado, com forte participação de produtos biológicos e também a entrada de novas moléculas químicas no mercado.

Bioinsumos puxam o crescimento e batem recorde histórico

Dentro do total de registros, o principal destaque de 2025 foi a expansão dos bioinsumos. Foram 162 registros, volume mais de 50% superior ao de 2024, quando haviam sido aprovados 106 produtos. Trata-se do maior número da série histórica.

O grupo inclui não apenas produtos de perfil “natural”, mas também formulados biológicos, microbiológicos, bioquímicos, extratos vegetais, reguladores de crescimento e semioquímicos, muitos deles compatíveis com sistemas de agricultura orgânica. A diversificação reflete uma estratégia de ampliar alternativas de controle fitossanitário com menor potencial de impacto ambiental e toxicológico.

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Químicos também avançam, com novas moléculas no radar

Apesar do protagonismo dos biológicos, o segmento químico também registrou avanços relevantes. Em 2025, foram 25 novos registros de produtos inéditos, sendo 6 produtos técnicos novos e 19 formulados com ingredientes ativos até então inexistentes no mercado brasileiro.

Entre as moléculas listadas pelo Mapa estão Ipflufenoquina, Fluoxastrobina, Fluazaindolizine, Isopirazam, Fenpropidin e Ciclobutrifluram. A aposta do governo é que a ampliação dos modos de ação fortaleça o manejo integrado de pragas e ajude a conter o avanço da resistência, um dos principais desafios da agricultura moderna.

Menos burocracia no papel, mas uso no campo segue limitado

Para evitar gargalos no processo regulatório, o Mapa promoveu mudanças administrativas. O Ato nº 62, de 22 de dezembro de 2025, centralizou os protocolos e a tramitação dos pedidos de registro. Desde 2024, todas as solicitações passam exclusivamente pelo SEI/Mapa, eliminando a necessidade de protocolos paralelos junto à Anvisa e ao Ibama para organização de fila.

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A primeira rodada de priorização concentrou-se em ingredientes ativos novos e bioinsumos de menor potencial de impacto. O ministério, porém, reforça que registro não significa uso imediato no campo. Em 2024, por exemplo, 58,6% das marcas de produtos químicos registradas e 13,6% dos ingredientes ativos sequer chegaram a ser comercializados.

Fiscalização reforçada e revisão de ativos tradicionais

O sistema brasileiro de registro de agrotóxicos segue o modelo tripartite, exigindo aval técnico do Mapa (eficácia agronômica), da Anvisa (risco à saúde) e do Ibama (impacto ambiental). Em 2025, além dos registros, o governo intensificou a atuação fiscalizatória.

O Mapa promoveu revisões e debates técnicos envolvendo ingredientes amplamente utilizados, como Glifosato, 2,4-D, Glufosinato e Atrazina. Também publicou o Ato nº 61, de 22 de dezembro de 2025, que resultou na suspensão cautelar de 34 produtos, além da apreensão de 1.946 litros de agrotóxicos ilegais.

Tecnologia para organizar o sistema em 2026

Para 2026, a principal aposta é a implantação do SISPA, sistema unificado prometido para integrar informações, dar mais transparência ao processo e reduzir entraves burocráticos. A expectativa do governo é que a tecnologia ajude a organizar o setor, mantendo o rigor técnico e evitando que a burocracia se torne, ela própria, mais uma praga no campo.

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