O Brasil encerrou 2025 com um novo recorde no registro de agrotóxicos e produtos afins. Segundo balanço divulgado no domingo (4) pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), foram 912 novos registros ao longo do ano – um crescimento de 37% em relação a 2024, quando o país já havia atingido a marca histórica de 663 autorizações.
O resultado chama atenção por ocorrer sob o governo do presidente Lula, que durante a campanha defendia uma política de redução do uso de agrotóxicos. Na prática, os números indicam uma ampliação do portfólio regulado, com forte participação de produtos biológicos e também a entrada de novas moléculas químicas no mercado.
Bioinsumos puxam o crescimento e batem recorde histórico
Dentro do total de registros, o principal destaque de 2025 foi a expansão dos bioinsumos. Foram 162 registros, volume mais de 50% superior ao de 2024, quando haviam sido aprovados 106 produtos. Trata-se do maior número da série histórica.
O grupo inclui não apenas produtos de perfil “natural”, mas também formulados biológicos, microbiológicos, bioquímicos, extratos vegetais, reguladores de crescimento e semioquímicos, muitos deles compatíveis com sistemas de agricultura orgânica. A diversificação reflete uma estratégia de ampliar alternativas de controle fitossanitário com menor potencial de impacto ambiental e toxicológico.
Químicos também avançam, com novas moléculas no radar
Apesar do protagonismo dos biológicos, o segmento químico também registrou avanços relevantes. Em 2025, foram 25 novos registros de produtos inéditos, sendo 6 produtos técnicos novos e 19 formulados com ingredientes ativos até então inexistentes no mercado brasileiro.
Entre as moléculas listadas pelo Mapa estão Ipflufenoquina, Fluoxastrobina, Fluazaindolizine, Isopirazam, Fenpropidin e Ciclobutrifluram. A aposta do governo é que a ampliação dos modos de ação fortaleça o manejo integrado de pragas e ajude a conter o avanço da resistência, um dos principais desafios da agricultura moderna.
Menos burocracia no papel, mas uso no campo segue limitado
Para evitar gargalos no processo regulatório, o Mapa promoveu mudanças administrativas. O Ato nº 62, de 22 de dezembro de 2025, centralizou os protocolos e a tramitação dos pedidos de registro. Desde 2024, todas as solicitações passam exclusivamente pelo SEI/Mapa, eliminando a necessidade de protocolos paralelos junto à Anvisa e ao Ibama para organização de fila.
A primeira rodada de priorização concentrou-se em ingredientes ativos novos e bioinsumos de menor potencial de impacto. O ministério, porém, reforça que registro não significa uso imediato no campo. Em 2024, por exemplo, 58,6% das marcas de produtos químicos registradas e 13,6% dos ingredientes ativos sequer chegaram a ser comercializados.
Fiscalização reforçada e revisão de ativos tradicionais
O sistema brasileiro de registro de agrotóxicos segue o modelo tripartite, exigindo aval técnico do Mapa (eficácia agronômica), da Anvisa (risco à saúde) e do Ibama (impacto ambiental). Em 2025, além dos registros, o governo intensificou a atuação fiscalizatória.
O Mapa promoveu revisões e debates técnicos envolvendo ingredientes amplamente utilizados, como Glifosato, 2,4-D, Glufosinato e Atrazina. Também publicou o Ato nº 61, de 22 de dezembro de 2025, que resultou na suspensão cautelar de 34 produtos, além da apreensão de 1.946 litros de agrotóxicos ilegais.
Tecnologia para organizar o sistema em 2026
Para 2026, a principal aposta é a implantação do SISPA, sistema unificado prometido para integrar informações, dar mais transparência ao processo e reduzir entraves burocráticos. A expectativa do governo é que a tecnologia ajude a organizar o setor, mantendo o rigor técnico e evitando que a burocracia se torne, ela própria, mais uma praga no campo.
