O agronegócio de Minas Gerais encerrou 2025 com um desempenho histórico no comércio exterior. As exportações do setor alcançaram US$ 19,8 bilhões, o maior valor já registrado pelo estado, consolidando o agro como o principal motor das vendas internacionais mineiras ao longo do ano.
O resultado representa um crescimento de 15,5% em relação a 2024 e fez com que o agronegócio respondesse por 43,5% de toda a pauta exportadora de Minas Gerais, mesmo em um cenário marcado por volatilidade nos preços das commodities, desafios logísticos e maior concorrência internacional.
Carnes impulsionam crescimento e batem recorde
Um dos principais destaques de 2025 foi o desempenho do setor de carnes, que atingiu o maior valor exportado da série histórica. As vendas externas de carnes bovina, suína e de frango somaram US$ 1,85 bilhão, impulsionadas pela ampliação de mercados compradores, maior demanda internacional e valorização dos preços em alguns destinos estratégicos.
A cadeia da carne tem papel relevante na economia mineira, especialmente em regiões com forte presença da pecuária, como o Triângulo Mineiro, Alto Paranaíba, Norte e Noroeste do estado, gerando emprego, renda e dinamizando a indústria frigorífica.
Café segue como carro-chefe do agro mineiro
O café manteve sua posição de liderança absoluta nas exportações do agronegócio de Minas Gerais. Em 2025, o produto respondeu por 57,2% do valor total exportado pelo setor, com receitas que chegaram a US$ 11,4 bilhões.
A combinação entre preços internacionais elevados, qualidade reconhecida do café mineiro e diversificação de mercados ajudou a sustentar o desempenho, mesmo diante de oscilações climáticas ao longo do ciclo produtivo.
Álcool e açúcar enfrentam ano de retração
Na contramão do crescimento geral, o complexo sucroenergético registrou um dos piores desempenhos de 2025. As exportações de açúcar e derivados da cana recuaram cerca de 20%, refletindo queda nos preços internacionais, maior concorrência externa e ajustes no mercado global de açúcar e etanol.
A retração afetou especialmente regiões tradicionalmente produtoras, como o Triângulo Mineiro e o Noroeste do estado, onde a cadeia da cana-de-açúcar tem forte peso econômico e é uma das grandes empregadoras do agronegócio.
Soja também recua, mas diversificação ameniza impacto
O complexo soja também apresentou queda de receita, com retração próxima de 10% em relação ao ano anterior. Apesar disso, o impacto negativo foi parcialmente compensado pelo bom desempenho de outros segmentos, como carnes, café e produtos agroindustriais de maior valor agregado.
Além das commodities tradicionais, produtos regionais, como queijos, doces e alimentos processados, ganharam espaço na pauta exportadora, reforçando o movimento de diversificação e agregação de valor no agro mineiro.
Agro consolida protagonismo econômico em Minas
Mesmo com desafios no cenário internacional, o desempenho de 2025 confirma o protagonismo do agronegócio na economia de Minas Gerais, tanto na geração de divisas quanto no fortalecimento das cadeias produtivas regionais.
Para 2026, a expectativa do setor é de manutenção de um patamar elevado de exportações, com atenção redobrada aos custos de produção, ao crédito rural e às oscilações do mercado internacional, especialmente para cadeias mais expostas, como a cana-de-açúcar.
