A China avalia a criação de um sistema de cotas para a importação de carne bovina, medida que pode impactar diretamente o Brasil, hoje o maior fornecedor da proteína ao mercado chinês. A sinalização foi feita por fontes ligadas às negociações comerciais entre os dois países e ocorre em meio a uma investigação conduzida pelas autoridades chinesas sobre os efeitos das importações no mercado interno.
Segundo as informações, o modelo em estudo prevê a liberação de um volume determinado de carne bovina por país com isenção ou tarifa reduzida. A partir desse limite, o excedente passaria a ser taxado com alíquotas mais elevadas, o que, na prática, poderia limitar o crescimento das exportações brasileiras.
Investigação sobre impacto das importações
A possível adoção das cotas está ligada a uma investigação iniciada pela China para analisar se o aumento expressivo das importações de carne bovina nos últimos anos causou prejuízos à pecuária local. O levantamento considera dados de produção, consumo, preços e rentabilidade dos produtores chineses, além da evolução do volume de carne estrangeira no mercado interno.
Autoridades chinesas avaliam que a entrada intensa de proteína importada, especialmente do Brasil, contribuiu para a queda dos preços internos e pressionou as margens dos criadores locais, o que reforça o debate sobre medidas de proteção ao setor.
Dependência do mercado chinês preocupa o setor
O Brasil tem na China seu principal comprador de carne bovina, concentrando parcela significativa das exportações do setor. Essa dependência faz com que qualquer mudança nas regras de acesso ao mercado chinês gere preocupação entre pecuaristas, frigoríficos e exportadores.
Entidades do setor avaliam que a imposição de cotas pode afetar o planejamento da produção, a formação de preços e a competitividade da carne brasileira no mercado internacional, além de reforçar a necessidade de diversificação de destinos para a proteína nacional.
Próximos passos
Até o momento, não há definição oficial sobre volumes, prazos ou critérios de distribuição das possíveis cotas entre os países exportadores. O governo brasileiro acompanha o tema de perto e mantém diálogo com as autoridades chinesas, buscando garantir previsibilidade ao comércio bilateral.
A expectativa do mercado é que a China se manifeste oficialmente após a conclusão da investigação, o que deve ocorrer nos próximos meses. Até lá, o setor segue em alerta diante dos possíveis impactos da medida sobre um dos principais fluxos comerciais do agronegócio brasileiro.
