Produção de cana recua, mas etanol bate recorde na safra 2025/2026

Mesmo com impacto do clima na produtividade, avanço do etanol, especialmente de milho, garante maior volume da história no Brasil

Eloi Naves
Usina CMAA - Companhia Mineira de Açúcar e Álcool - em Uberaba/MG
Usina CMAA é um dos maiores conglomerados de açúcar e álcool da região SudesteFoto: CMAA

A safra brasileira de cana-de-açúcar 2025/2026 registrou leve retração na produção, mas terminou com um resultado histórico para o etanol. Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o país colheu cerca de 673,2 milhões de toneladas, queda de 0,5% em relação ao ciclo anterior.

Apesar do recuo, o volume ainda posiciona a safra como a terceira maior da série histórica.

Clima impacta produtividade

A redução na produção foi influenciada principalmente pelas condições climáticas adversas ao longo de 2024, como seca, temperaturas elevadas e incêndios, que afetaram o desenvolvimento das lavouras, especialmente na região Centro-Sul.

Com isso, a produtividade média nacional caiu cerca de 2,6%, mesmo com o avanço da área plantada, que ajudou a amenizar as perdas.

Etanol atinge maior produção da história

Mesmo com menor oferta de cana, o Brasil alcançou um marco no setor energético. A produção total de etanol (cana e milho) chegou a aproximadamente 37,5 bilhões de litros, alta de 0,8% na comparação anual.

O principal motor desse crescimento foi o etanol de milho, que avançou cerca de 30% e já representa mais de 27% da produção nacional.

Por outro lado, o etanol produzido a partir da cana teve queda de aproximadamente 6,9%, refletindo a menor disponibilidade da matéria-prima.

Açúcar também segue em alta

A produção de açúcar permaneceu elevada, estimada em 44,2 milhões de toneladas, configurando a segunda maior da história.

O resultado foi impulsionado pelo maior direcionamento da cana para a fabricação do produto, estratégia adotada pelas usinas diante das condições de mercado.

Cenário do setor

Mesmo com os desafios climáticos, o setor sucroenergético brasileiro demonstra resiliência. A expansão do etanol de milho, aliada às decisões estratégicas das usinas e ao aumento de área cultivada, ajudou a sustentar os resultados.

Para os próximos ciclos, a tendência é de manutenção do protagonismo do etanol na matriz energética, enquanto o açúcar segue influenciado pela dinâmica do mercado internacional.

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