Governo Federal faz novo corte milionário e aperta o cerco ao agro

Com o novo remanejamento publicado no Diário Oficial, o orçamento total para o subsídio agrícola encolheu para R$ 935,5 milhões, acendendo o alerta e gerando forte reação no setor produtivo

Hosa Freitas
Foto: Divulgação - MAPA

Em meio a um cenário de forte pressão fiscal, o Governo Federal oficializou mais um duro golpe no orçamento destinado ao agronegócio. Uma nova portaria do Ministério do Planejamento e Orçamento, publicada no Diário Oficial da União (DOU), confirmou o corte de R$ 56,3 milhões na verba destinada ao seguro rural para o ano de 2026.

A decisão joga ainda mais incerteza sobre o campo, reduzindo a capacidade do governo de subsidiar as apólices de seguro necessárias para proteger a produção nacional contra perdas climáticas e quebras de safra.

A conta não fecha: o encolhimento do seguro agrícola

Com este novo remanejamento, o valor total disponível para o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) caiu para R$ 935,574 milhões em 2026.

O recuo é drástico quando comparado ao planejamento inicial do próprio Executivo:

  • Previsão Inicial (LOA 2026): O orçamento original aprovado na Lei Orçamentária Anual previa R$ 1,018 bilhão.
  • Primeiro Ajuste: A dotação orçamentária já havia sido reduzida anteriormente para R$ 991,873 milhões.
  • Cenário Atual: Após as tesouradas recentes, a cifra oficial despencou para a casa dos R$ 935,5 milhões.

Se considerarmos os bloqueios e contingenciamentos gerais anunciados recentemente pela equipe econômica, a situação se torna ainda mais dramática. Lideranças do setor apontam que os recursos efetivamente liberados para livre movimentação e empenho podem ficar muito abaixo disso, sufocando o caixa do Ministério da Agricultura.

Setor produtivo reage com indignação

A resposta das entidades representativas do agronegócio foi imediata. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que já vinha pleiteando um orçamento mínimo de R$ 2,1 bilhões para o setor conseguir rodar com segurança em 2026, criticou duramente a postura de Brasília. Em nota técnica, a entidade alertou para o risco de desabastecimento de crédito e desproteção generalizada:

“O seguro rural não é um gasto, é uma ferramenta de estabilidade econômica para o país. Reduzir a subvenção no momento em que o produtor enfrenta custos de produção elevados e instabilidade climática severa é empurrar o setor para a vulnerabilidade. Sem o apoio governamental, o custo da apólice privada se torna proibitivo para o pequeno e médio produtor.”

No Congresso Nacional, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) também subiu o tom contra o remanejamento orçamentária feito pelo Ministério do Planejamento. Em declaração de sua bancada, os parlamentares destacaram a incoerência do discurso governamental:

“O governo anuncia pacotes e planos de incentivo com holofotes, mas, na calada do Diário Oficial, retira o colchão de segurança de quem efetivamente carrega o PIB do país nas costas. Vamos cobrar explicações e articular a recomposição desses valores. O agro não aceitará pagar a conta do descontrole fiscal da União.”

O impacto direto no bolso do produtor rural

O programa de subvenção é uma ferramenta de política agrícola crucial. Na prática, o Governo Federal paga uma parte do custo da apólice de seguro do produtor (o chamado prêmio). Com menos dinheiro no caixa, menos apólices são contratadas.

Sem o auxílio do governo:

  1. O custo de produção sobe, já que o produtor precisa arcar com o valor integral do seguro se quiser proteger sua lavoura.
  2. Muitos ficam descobertos, optando por correr o risco de produzir sem proteção devido ao alto custo das apólices privadas.

Diante de um clima cada vez mais imprevisível — alternando secas severas e chuvas torrenciais —, a falta de um seguro rural robusto coloca em risco não apenas a estabilidade financeira das famílias camponesas e dos grandes grupos agrícolas, mas também a própria segurança alimentar e a balança comercial do país.

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