JBS suspende produção de cortes para a China e concentra operações nos embarques

Frigorífico interrompeu a produção de cortes específicos em parte das unidades habilitadas para exportação ao mercado chinês para evitar o risco de sobretaxas sobre as cargas brasileiras.

Eloi Naves
Fábrica da JBS no Mato Grosso do Sul
JBS é a maior empresa de proteína do mundo.Foto: Prefeitura Municipal de Campo Grande - MS

A JBS suspendeu neste sábado (20) a produção de cortes bovinos específicos destinados à China em parte de suas unidades habilitadas para exportação. A medida faz parte de uma estratégia para concentrar esforços nos embarques já programados e evitar que produtos cheguem ao país asiático após o esgotamento da cota de importação disponível ao Brasil.

A decisão ocorre em um momento de crescente preocupação entre os exportadores brasileiros diante do avanço da utilização das cotas chinesas para importação de carne bovina. Caso os limites sejam ultrapassados, as cargas passam a ser submetidas a tarifas significativamente maiores, reduzindo a competitividade do produto brasileiro.

Segundo Renato Costa, presidente da JBS Friboi e do conselho da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), cada empresa tem adotado estratégias diferentes para lidar com o cenário, dependendo do grau de exposição ao mercado chinês.

Nós, como JBS, não vemos impacto de volume, nós distribuímos isso. Já o preço é o mercado que vai ditar”, afirmou o executivo durante entrevista à Globo Rural.

A preocupação do setor aumentou após a Austrália atingir integralmente sua cota de exportação para a China. Com isso, as cargas australianas que chegaram aos portos chineses a partir de 20 de junho passaram a enfrentar uma sobretaxa de 55%.

Para o Brasil, a expectativa não é de ampliação da cota ainda em 2026. De acordo com Costa, o setor trabalha com a possibilidade de redistribuição dos volumes eventualmente não utilizados por outros países exportadores.

O ministro André de Paula, na feira Sial na China, já colocou isso, para que, no final, quem não cumpriu a cota, faz-se a redistribuição da cota. Aí a gente vê como possibilidade, mas dentro deste ano, não”, explicou.

Apesar das incertezas no mercado externo, a JBS tem encontrado um cenário favorável no consumo doméstico. Segundo Costa, as ações promocionais ligadas à Copa do Mundo impulsionaram as vendas das marcas Seara e Maturatta, gerando resultados acima das expectativas da companhia.

Estamos muito, mas muito bem, fomos bem surpreendidos. Foi nosso recorde de vendas, pois analisamos por semanas. Então, foi a semana que nós mais vendemos”, disse.

O executivo atribuiu parte do desempenho aos horários dos jogos, que têm estimulado o consumo dentro das residências e aumentado a procura por produtos voltados para confraternizações e refeições em casa.

Estamos satisfeitos, vamos torcer mais pelo Brasil. O impacto tem sido positivo”, afirmou.

Costa também destacou uma mudança de comportamento dos consumidores, que vem favorecendo o mercado de proteínas. Segundo ele, o crescimento do uso de medicamentos para emagrecimento tem levado mais pessoas a adotarem dietas com maior consumo de proteína.

Isso tem tido um efeito e vem comprovar o que a gente sempre acreditou, que a proteína é a principal fonte de tudo, de energia do corpo humano como um todo. O futebol e essa mudança do hábito alimentar têm incentivado muitas vendas”, concluiu.

A combinação entre um mercado interno aquecido e ajustes nas exportações deverá ajudar a indústria frigorífica a atravessar um período de maior cautela nas vendas para a China, principal destino da carne bovina brasileira.

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