Manejo biológico da cana reduz perdas na seca em Uberlândia

Uso de bioinsumos fortalece o sistema radicular da cultura e protege o rendimento de ATR contra o calor extremo e a falta de chuvas no Triângulo Mineiro.

Lorena Marques
Foto: Elza Fiuza/Agência Brasil

Produtores rurais enfrentam frequentes desafios climáticos em Uberlândia durante os meses de estiagem prolongada e calor intenso. Nesse cenário de risco, o manejo biológico da cana surge como uma estratégia indispensável para conter perdas severas de produtividade e de Açúcar Total Recuperável (ATR).

Impactos do estresse hídrico no canavial

Além de causar danos visíveis às folhas, a escassez severa de água altera diretamente o metabolismo vegetal. Por essa razão, a cultura reduz a taxa de fotossíntese e canaliza suas reservas de energia apenas para a própria sobrevivência.

Consequentemente, o calor extremo desencadeia o estresse oxidativo nas lavouras. Esse distúrbio provoca o acúmulo de moléculas tóxicas que danificam estruturas celulares internas e interrompem processos fisiológicos vitais. Dessa maneira, a planta diminui drasticamente a síntese e o acúmulo de sacarose nos colmos.

Como os bioinsumos atuam na proteção das plantas

Para evitar perdas expressivas nos canaviais regionais, o setor aposta na aplicação de tecnologias sustentáveis. De acordo com Victor Hugo de Faria Guedes, engenheiro-agrônomo e desenvolvedor de mercado da Biotrop, o manejo biológico da cana amplia a tolerância das plantas às altas temperaturas e estimula defesas naturais.

Portanto, a introdução de bioinsumos específicos estimula a produção de enzimas antioxidantes e auxilia as células a reter mais água. Da mesma forma, essas soluções microbiológicas impulsionam o desenvolvimento das raízes em maiores profundidades. Com um sistema radicular mais robusto, a planta busca água e nutrientes em camadas do solo inacessíveis anteriormente.

Planejamento preventivo assegura rentabilidade

Contudo, os resultados no campo exigem atenção contínua ao calendário agrícola. O especialista enfatiza que o agricultor precisa planejar as intervenções biológicas com antecedência, antes que a estiagem severa se instale na região.

Assim, o produtor rural protege o canavial contra choques térmicos e mantém a produtividade em níveis competitivos. Por fim, o investimento em biotecnologia garante maior estabilidade econômica e fortalece a sustentabilidade agrícola mesmo sob adversidades climáticas extremas.

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