O mercado físico do agronegócio brasileiro opera nesta quinta-feira (28) em clima de cautela, mas ainda sustentado por fatores importantes de suporte, especialmente exportações aquecidas, dólar valorizado e preocupação global com energia e fertilizantes após a nova escalada de tensão no Oriente Médio.
Na soja, os preços seguem relativamente firmes em diversas regiões do país. No Paraná, referência importante para o mercado nacional, a saca permanece girando entre R$ 111 e R$ 117, dependendo da praça, enquanto Chicago voltou a registrar leve alta puxada principalmente pelo avanço do petróleo e pelas preocupações geopolíticas envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos.
O mercado acompanha ainda o avanço do plantio americano, mas a principal preocupação neste momento continua sendo o custo de produção para a próxima safra. A disparada dos fertilizantes e dos custos logísticos já começa a pressionar fortemente as margens dos produtores para o ciclo 2026/2027.
Exportações continuam sustentando preços no campo
Mesmo diante das oscilações internacionais e do aumento das tensões geopolíticas, o mercado físico brasileiro segue encontrando suporte importante na demanda externa. China, Oriente Médio e parte da Ásia continuam puxando exportações de soja, milho e proteína animal, ajudando a sustentar preços internos e reduzindo a pressão de baixa em algumas praças produtoras.
No milho, o mercado físico segue relativamente estável, mas com viés atento à segunda safra brasileira e às condições climáticas. Em regiões do Paraná, as cotações permanecem próximas de R$ 53 a R$ 58 por saca, enquanto o mercado internacional monitora o ritmo do plantio nos Estados Unidos e possíveis impactos climáticos nas próximas semanas.
Já na pecuária, o mercado do boi gordo continua sustentado pelo bom desempenho das exportações brasileiras de carne bovina, especialmente para a China. Em São Paulo, a arroba no físico voltou a operar próxima de R$ 355, enquanto em algumas regiões de exportação os preços seguem firmes diante da oferta ainda relativamente controlada de animais terminados.
Apesar da sustentação no físico, o mercado futuro do boi segue demonstrando cautela. Analistas observam que frigoríficos continuam pressionados pela alta recente da arroba e pela valorização do real em determinados momentos do mercado cambial, fator que reduz parcialmente a competitividade das exportações brasileiras.
Petróleo, fertilizantes e crédito entram no radar do produtor
Outro fator importante no radar do agro é o petróleo. O Brent voltou a subir nesta manhã, aproximando-se novamente da faixa de US$ 96 por barril. O movimento aumenta a preocupação do setor com custos de frete, diesel, fertilizantes e logística, elementos que impactam diretamente a cadeia produtiva brasileira.
No câmbio, o dólar voltou a subir e permanece acima de R$ 5,06, fator que continua favorecendo as exportações brasileiras e ajudando na sustentação dos preços internos das commodities agrícolas.
Ao mesmo tempo, produtores acompanham com atenção o cenário de juros elevados, maior seletividade bancária e dificuldade crescente de acesso ao crédito rural. O sentimento predominante no agro brasileiro hoje é de atenção redobrada: o produtor monitora clima, geopolítica, petróleo, dólar e financiamento praticamente ao mesmo tempo.
O mercado segue dividido entre fundamentos positivos de exportação e as incertezas provocadas pelo cenário internacional. A leitura predominante no setor é que o agro brasileiro continua competitivo, mas opera em um ambiente de custos elevados e forte sensibilidade ao cenário externo.


