PIB do agro cresce 2% no 1º trimestre, mas resultado fica abaixo das expectativas do mercado

Agropecuária foi um dos principais motores da economia brasileira no início de 2026, impulsionada pela safra recorde de soja

Eloi Naves
Trator trabalhando no campo
PIB do setor, apesar do avanço, ficou abaixo da expectativa de mercadoFoto: Divulgação

O Produto Interno Bruto (PIB) da agropecuária brasileira registrou crescimento de 2% no primeiro trimestre de 2026 em relação aos três meses anteriores, consolidando o setor como um dos principais responsáveis pela expansão da economia nacional no período. Apesar do avanço, o resultado ficou abaixo das projeções do mercado financeiro e de consultorias especializadas.  

Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (29) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que também apontou alta de 1,1% no PIB total do Brasil no primeiro trimestre frente ao último trimestre de 2025. A agropecuária teve papel relevante nesse desempenho, ao lado da indústria extrativa e de parte do setor de serviços.  

Segundo o levantamento, a expectativa mediana dos analistas era de crescimento de 2,7% para o PIB agropecuário no período. Na comparação com o primeiro trimestre de 2025, a alta foi de apenas 0,7%, também abaixo das projeções de mercado, que apontavam avanço de aproximadamente 2,5%.  

A principal força por trás do desempenho do setor foi a produção de soja. O IBGE destaca que as condições climáticas favoráveis em grande parte das regiões produtoras, aliadas à ampliação da área plantada, contribuíram para uma safra recorde. A estimativa anual da produção da oleaginosa avançou 4,8%, alcançando o maior volume da série histórica.  

Por outro lado, algumas culturas importantes registraram retração. O milho apresentou queda estimada de 2,5% na produção anual, enquanto o arroz teve recuo de 10,6%, fatores que ajudaram a limitar um crescimento mais robusto do PIB agropecuário.  

Especialistas avaliam que o setor ainda deve receber impactos positivos da soja ao longo do segundo trimestre. No entanto, há preocupação com o desempenho da segunda safra de milho, além de culturas como algodão e cana-de-açúcar, que podem reduzir o ritmo de crescimento do agronegócio nos próximos meses.  

Outro ponto de atenção é o cenário climático. Economistas apontam que os possíveis efeitos do fenômeno El Niño podem influenciar a produtividade agrícola ao longo do ano, criando um ambiente de maior incerteza para o setor.  

Mesmo abaixo das expectativas, o resultado reforça a importância do agronegócio para a economia brasileira. O setor segue como um dos pilares do crescimento nacional e mantém influência direta sobre exportações, geração de empregos, produção industrial e movimentação de cadeias logísticas em diversas regiões do país.  

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