A chegada da Quaresma costuma vir acompanhada de um movimento já conhecido pelo consumidor: a alta no preço dos ovos. Apesar de muitos associarem a queda na produção das galinhas ao período religioso, a explicação é, na verdade, científica — e está diretamente ligada a fatores ambientais e fisiológicos.
A produção de ovos depende, principalmente, da quantidade de luz diária. As galinhas necessitam de cerca de 14 a 16 horas de luminosidade para manter um ritmo elevado de postura. Após o verão, entre fevereiro e março, os dias começam a ficar mais curtos, o que reduz o estímulo hormonal das aves e, consequentemente, a produção.
Outro fator relevante é o calor. Mesmo com a transição de estação, boa parte do Brasil ainda enfrenta temperaturas elevadas nesse período. Sob estresse térmico, as galinhas tendem a comer menos, o que reduz a ingestão de nutrientes essenciais para a formação dos ovos. Como resultado, a produtividade também diminui.
Além disso, algumas aves entram no processo natural de muda de penas, fase em que o organismo prioriza a renovação da plumagem. Esse ciclo exige energia e costuma levar à redução ou até à interrupção temporária da postura.
Embora esses fatores ocorram todos os anos, é na Quaresma que seus efeitos se tornam mais perceptíveis para o consumidor. Isso porque o período religioso altera o comportamento de consumo: muitas pessoas deixam de ingerir carne vermelha e passam a buscar outras fontes de proteína, como ovos e pescados.
Esse movimento provoca um aumento significativo na demanda justamente quando a oferta está mais restrita. A combinação de menor produção com maior consumo cria um cenário clássico de pressão sobre os preços.
Na prática, o mercado reage rapidamente. Com menos ovos disponíveis e mais consumidores buscando o produto, os valores sobem, impactando tanto o varejo quanto o orçamento das famílias.

