Minas Gerais caminha para registrar a maior safra de algodão da sua história na temporada 2025/2026, mesmo em um cenário de preços internacionais menos atrativos. A combinação entre expansão da área plantada, recuperação da produtividade e apoio de programas estaduais sustenta o avanço da cultura no Estado, contrariando o movimento observado em outras regiões produtoras do país.
De acordo com estimativas da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), a produção mineira deve alcançar 231,5 mil toneladas, crescimento de 22,2% em relação à safra anterior. A área cultivada tende a chegar a cerca de 50 mil hectares, avanço de 10,9%, enquanto a produtividade média deve subir para 4,6 toneladas por hectare, alta de 10,2%.
Crescimento em meio a preços menos favoráveis
O desempenho positivo ocorre apesar da queda nas cotações do algodão no mercado internacional, fator que tem reduzido a atratividade da cultura em algumas regiões do Brasil. A pressão sobre os preços, causada pelo aumento da oferta global e pela desaceleração da demanda, tem levado produtores a reavaliar investimentos e migrar para outras culturas em determinados estados.
Em Minas Gerais, no entanto, o cenário é diferente. O crescimento da safra reflete principalmente a recuperação produtiva após um ciclo anterior marcado por adversidades climáticas, como um período prolongado de seca que comprometeu os rendimentos na temporada passada.
Incentivo estadual sustenta a cultura
Outro fator decisivo para o avanço do algodão mineiro é a política estadual de incentivo à cultura, que estimula a produção por meio da contratação antecipada da pluma pela indústria têxtil local. O mecanismo reduz riscos, melhora o planejamento financeiro do produtor e garante maior previsibilidade ao setor.
Mesmo com preços internacionais pressionados, esse modelo tem funcionado como um amortecedor, permitindo que a cultura continue competitiva no Estado.
Produção em pluma e mercado externo
A produção de algodão em pluma deve alcançar cerca de 85 mil toneladas, crescimento de 8,4% na comparação anual. Aproximadamente 60% da produção mineira é destinada à exportação, com embarques principalmente para países da Ásia e do Oriente Médio.
O restante atende ao mercado interno, especialmente à indústria têxtil instalada em Minas Gerais, fortalecendo a cadeia produtiva local e reduzindo a dependência exclusiva do mercado externo.
Perspectivas e desafios
Apesar do avanço da safra, o setor segue atento ao comportamento dos preços e aos custos de produção, que continuam elevados. A expectativa é que ganhos de produtividade e melhor gestão comercial ajudem a preservar margens, enquanto o desempenho da demanda global seguirá sendo determinante para o ritmo de expansão nos próximos ciclos.
