Os pedidos de Recuperação Judicial cresceram de forma significativa em Minas Gerais em 2025. Entre janeiro e setembro, o estado registrou 1.032 solicitações, alta de 23% em relação ao mesmo período de 2024, quando haviam sido contabilizados 792 casos. Os dados são da RGF Consultoria e foram divulgados pelo Diário do Comércio.
Crescimento acima da média nacional
Entre o segundo e o terceiro trimestre deste ano, Minas viu um avanço de 8% nos pedidos, acima da média nacional, que foi de 6,4%. No Brasil, 5.285 empresas solicitaram recuperação judicial nos primeiros nove meses de 2025.
A consultoria destaca que, embora Minas tenha demonstrado resiliência desde o início do monitoramento em 2023, a deterioração econômica recente vem pressionando empresas de diversos setores.
Agro impulsiona novas demandas
Uma das mudanças mais marcantes está no perfil das empresas que buscam o mecanismo. Segundo o sócio da RGF Consultoria, Fábio Gomes, ouvido pelo Diário do Comércio, segmentos agrícolas como café, soja e alho passaram a aparecer com mais frequência entre os pedidos.
Ele explica que o movimento é consequência direta de fatores como:
- elevação dos juros, que encarece o crédito;
- dólar valorizado, aumentando custos de insumos;
- volatilidade das commodities, reduzindo margens de lucro;
- encarecimento de operações de custeio e financiamento.
No setor cafeeiro, por exemplo, o estado passou cinco trimestres sem qualquer empresa pedindo recuperação judicial, mas a partir do terceiro trimestre de 2024 o quadro mudou, acumulando hoje oito empresas em reestruturação. No caso da soja, já são seis companhias mineiras nessa condição.
Pressões econômicas ampliam o cenário de crise
Além do impacto no agronegócio, outros setores também têm sentido o peso de custos mais altos, consumo retraído e maior dificuldade de obter crédito. Para especialistas do setor jurídico ouvidos pelo Diário do Comércio, a recuperação judicial se tornou mais comum porque empresários, advogados e o próprio Judiciário já compreendem melhor o instrumento criado em 2005, o que aumenta sua procura.
Tendência é de continuidade
Com juros altos, inflação persistente e um câmbio desfavorável, a avaliação de Fábio Gomes e de outros consultores é de que o número de pedidos tende a continuar crescendo nos próximos meses, sem sinais de alívio no curto prazo.
A expectativa é que empresas do agro — historicamente mais resistentes — sigam pressionadas por custos elevados e volatilidade de preços, ampliando sua presença nas estatísticas de reestruturação.
