A safra 2025/26 do etanol avança para o fim com um cenário de oferta mais restrita e demanda aquecida no mercado brasileiro. A combinação de menor disponibilidade de cana-de-açúcar e consumo elevado do biocombustível tem sustentado preços firmes ao longo do ciclo, refletindo diretamente nas estratégias das usinas instaladas no Triângulo Mineiro.
De acordo com avaliações do setor, fatores climáticos e queda na produtividade agrícola reduziram o volume processado em relação à safra anterior, limitando a produção tanto de etanol hidratado quanto de anidro.
Demanda segue forte ao longo do ano
Mesmo com a menor oferta, o consumo de etanol permaneceu elevado em 2025. O etanol hidratado manteve boa competitividade frente à gasolina em diversos estados, enquanto o etanol anidro seguiu com demanda consistente devido à mistura obrigatória no combustível vendido no país.
Esse cenário levou usinas a adotarem uma postura mais cautelosa na comercialização, priorizando o equilíbrio de estoques e a maximização de margens.
CMAA enfrenta safra mais curta, mas mantém relevância regional
No Triângulo Mineiro, a Companhia Mineira de Açúcar e Álcool (CMAA) atravessa a safra 2025/26 em um contexto de menor moagem, acompanhando o movimento observado em boa parte do Centro-Sul.
A empresa segue como um dos principais polos sucroenergéticos da região, atuando na produção de etanol, açúcar e bioenergia. Diante da menor oferta de cana, o foco tem sido a eficiência operacional e o planejamento do mix produtivo, alinhado às condições de mercado.
Usina Santa Vitória ajusta produção na safra 25/26
Outra unidade impactada pelo cenário foi a Usina Santa Vitória, localizada no Triângulo Mineiro e pertencente ao Grupo Jalles. Assim como outras usinas do setor, a unidade registrou redução no volume de cana processada nesta safra.
Mesmo com a queda na produção, a estratégia do grupo foi direcionada para o etanol, aproveitando o ambiente de preços mais favorável e a demanda sustentada ao longo do ano.
Coruripe concentra quatro unidades no Triângulo Mineiro
O cenário também impacta a Usina Coruripe, que mantém quatro unidades industriais no Triângulo Mineiro, consolidando a região como um dos principais polos sucroenergéticos do país.
Com presença relevante na produção de etanol, açúcar e bioenergia, a Coruripe também precisou ajustar seu planejamento diante da menor disponibilidade de cana, priorizando eficiência operacional e gestão de custos em uma safra mais curta.
Entressafra deve pressionar oferta no início de 2026
Com parte das usinas encerrando a moagem mais cedo, o setor projeta uma entressafra mais prolongada, o que pode manter a oferta de etanol ajustada nos primeiros meses de 2026. A expectativa é de que esse fator continue dando suporte aos preços no curto prazo.
Para as usinas do Triângulo Mineiro, o momento reforça a necessidade de planejamento agrícola, renovação de canaviais e gestão eficiente dos custos, em um ciclo marcado por menor volume e maior seletividade do mercado.
