Setor de defensivos agrícolas deve ficar estagnado em 2026, avalia sindicato

Indústria enfrenta cenário de crédito restrito, endividamento no campo e pressão sobre margens dos produtores rurais

Eloi Naves
Máquina faz aplicação de defensivo agrícola em lavoura

O setor de defensivos agrícolas no Brasil não deve registrar crescimento em 2026, segundo avaliação do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg). A entidade aponta que o agronegócio atravessa um momento de forte pressão financeira, marcado por restrição de crédito, aumento dos pedidos de recuperação judicial e elevado endividamento de produtores rurais.  

De acordo com o sindicato, a combinação entre custos elevados, margens mais apertadas e dificuldades de financiamento reduziu o ritmo de investimentos nas lavouras, afetando diretamente o mercado de insumos agrícolas, especialmente os defensivos.

Mesmo diante da desaceleração esperada para 2026, o setor ainda vem de um ciclo de recuperação parcial em 2025. Dados do próprio Sindiveg indicam que a área tratada com defensivos agrícolas no Brasil deve encerrar o ciclo 2025/26 com crescimento de 6,1%, alcançando cerca de 2,6 bilhões de hectares tratados.  

A pesquisa, elaborada pela Kynetec Brasil a pedido da entidade, considera a chamada Área Potencial Tratada (PAT), indicador que leva em conta o número de aplicações e os produtos utilizados nas lavouras.

Segundo o levantamento, os herbicidas seguem liderando o mercado, representando 45% das aplicações, enquanto fungicidas e inseticidas aparecem com 23% cada. A soja continua sendo a principal cultura consumidora de defensivos, concentrando 55% da área tratada nacional.  

O estudo também aponta diferenças regionais importantes. Mato Grosso e Rondônia concentram 32% da área tratada do país, enquanto São Paulo e Minas Gerais respondem juntos por 12% das aplicações nacionais.  

Apesar do avanço registrado na última safra, representantes do setor avaliam que 2026 deve ser um ano de maior cautela. A preocupação envolve principalmente o acesso ao crédito rural, a volatilidade dos preços agrícolas e o aumento das recuperações judiciais no agro brasileiro.  

Especialistas do setor também destacam que a indústria acompanha com atenção a evolução dos custos de produção e o comportamento do mercado internacional de commodities, fatores considerados decisivos para a retomada mais forte do segmento.

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