Uberlândia – As pesquisas avançam na diversificação de fruticultura com o desenvolvimento e a validação em campo de novas variedades de maracujá. Entre os destaques estão o maracujá roxo, cujo lançamento está previsto para os próximos meses, e o maracujá doce conhecido como Pérola do Cerrado, cultivado comercialmente desde 2017.
O maracujá roxo é desenvolvido por meio de uma parceria entre o Viveiro Flora Brasil, de Araguari, e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Já o BRS Pérola do Cerrado foi criado pelo programa de melhoramento genético da Embrapa Cerrados.
O trabalho é acompanhado pela Fundação de Excelência Rural de Uberlândia (Ferub), vinculada à Prefeitura, e envolve parcerias com instituições de pesquisa, empresas e produtores rurais. A proposta é oferecer alternativas de maior valor agregado aos agricultores que tradicionalmente trabalham com o maracujá amarelo.
Maracujá roxo está na fase final de testes
Desenvolvido a partir do cruzamento de variedades já existentes, o maracujá roxo integra uma parceria entre o viveiro Flora Brasil, sediado em Araguari, e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
Os testes de campo são realizados em propriedades rurais de Uberlândia, além de áreas experimentais em Seropédica, no Rio de Janeiro, e Cruz das Almas, na Bahia.
O lançamento oficial está previsto para ocorrer entre setembro e outubro de 2026.
A expectativa é que a nova variedade amplie as possibilidades de comercialização da fruta, especialmente em mercados dispostos a pagar mais por produtos diferenciados.
Pérola do Cerrado já está nas lavouras
Outra pesquisa acompanhada pela Ferub é o Pérola do Cerrado, uma variedade de maracujá doce que já possui produção comercial desde 2017.
Embora tanto o maracujá roxo quanto o Pérola do Cerrado apresentem produtividade em volume ligeiramente inferior à registrada pelo maracujá amarelo tradicional, as duas variedades se destacam pelo maior valor agregado.
Segundo as informações técnicas divulgadas pela Prefeitura, uma das vantagens é a maior estabilidade do preço de comercialização. Essa característica pode reduzir a exposição dos agricultores às oscilações que atingem o mercado das variedades mais comuns.
“O desenvolvimento dessas novas cultivares reflete o compromisso da Ferub e da gestão municipal com a inovação no campo. Nosso papel é transformar a pesquisa científica em resultados concretos, garantindo que o agricultor tenha acesso a matrizes que entreguem alto valor agregado e estabilidade comercial”, afirma o diretor de Projetos e Pesquisa da Ferub, o engenheiro agrônomo Mayer Andrade Santos.
De acordo com ele, a diversificação pode fortalecer a renda das famílias produtoras e movimentar outros segmentos da economia rural do município.
Produção regional chega a 3 mil toneladas por ano
A cadeia produtiva do maracujá amarelo já possui uma estrutura consolidada em Uberlândia. O município conta atualmente com aproximadamente 20 produtores, responsáveis pelo cultivo de 25 hectares e pela colheita de cerca de 500 toneladas da fruta por ano.
Considerando a produção regional, são aproximadamente 150 agricultores, 150 hectares plantados e um volume anual estimado em 3 mil toneladas.
Com o avanço da validação genética e a adaptação das novas cultivares às condições locais, a expectativa é de expansão das áreas de plantio.
As projeções apresentadas pela Ferub indicam que o maracujá roxo poderá ocupar entre 100 e 120 hectares na região. Para o Pérola do Cerrado, o potencial estimado varia de 50 a 60 hectares.
Capacitação prepara produtores para novas variedades
A adoção dessas variedades exige conhecimento sobre manejo, adubação, controle de pragas, polinização e comercialização. Para ampliar o acesso dos produtores a essas informações, a Ferub vem realizando atividades de capacitação e assistência técnica.
Em junho, a Fundação promoveu, em parceria com o Instituto Federal do Triângulo Mineiro (IFTM), o Dia de Campo Maracujazeiro.
A programação reuniu agricultores para atividades práticas voltadas ao aumento da produtividade, à diversificação das safras e à introdução do maracujá roxo e do Pérola do Cerrado nas propriedades.
Além do potencial comercial, a incorporação de novas variedades pode reduzir a dependência de um único produto e abrir espaço para mercados especializados. O desafio será transformar os resultados obtidos nos campos experimentais em produção economicamente viável, com escala, compradores regulares e assistência técnica contínua.
Fonte: Prefeitura de Uberlândia/Ferub/IFTM/Embrapa Cerrado.

