O avanço da demanda por etanol no Brasil reacende um alerta no Triângulo Mineiro: a necessidade urgente de modernizar a infraestrutura logística que conecta as usinas da região aos principais centros consumidores e ao Porto de Santos. Embora o setor sucroenergético viva um momento de expansão, especialistas e empresas apontam que a capacidade de crescimento pode ser limitada pelos atuais gargalos em rodovias e na circulação de caminhões-tanque.
Nos últimos anos, o Triângulo se consolidou como um dos mais importantes polos produtores de etanol e açúcar do país. Somadas, as usinas instaladas entre Ituiutaba, Santa Vitória, Canápolis, Uberaba, Iturama e Carneirinho ampliaram a moagem de cana e projetam novas ampliações para atender ao mercado interno aquecido, especialmente com o avanço de misturas como o E30.
No entanto, a logística ainda não acompanha o ritmo do setor. Trechos da BR-050, BR-365 e BR-153, que concentram grande parte do fluxo de cargas agrícolas, seguem sobrecarregados, sofrendo com pontos críticos, lentidão e necessidade de duplicações. A isso se somam rotas municipais que, apesar de fundamentais para acessar usinas e áreas de plantio, precisam de manutenção constante para suportar períodos de safra.
Anel Viário Sul deve reduzir tempo de trajeto e aliviar fluxo urbano
Um dos movimentos mais aguardados pelo setor é o complemento da obra de ligação do Anel Viário Sul de Uberlândia, que promete conectar de forma mais eficiente as regiões Sul e Oeste da cidade. A intervenção deve reduzir o trânsito pesado dentro da malha urbana e melhorar o fluxo de caminhões direcionados ao transporte de etanol, açúcar e grãos.
A nova ligação é vista como estratégica para o agronegócio regional. Além de encurtar distâncias entre plantas industriais e pontos de saída para BR-050 e BR-497, ela deve diminuir o custo operacional das empresas e aumentar a competitividade das usinas que atendem mercados em São Paulo, Goiás e no próprio estado de Minas Gerais.
O setor logístico avalia que a obra pode se tornar um divisor de águas, especialmente pela tendência de crescimento do consumo de etanol em grandes centros. A expectativa é que o volume de caminhões-tanque circulando pela região aumente ao longo das próximas safras — cenário que reforça a importância de rotas mais rápidas e seguras.
Gargalos rodoviários podem limitar expansão
Apesar dos avanços, operadores de transporte alertam que desafios permanecem. A BR-365, por exemplo, ainda concentra trechos de pista simples entre Uberlândia e Patrocínio, gerando congestionamentos e risco de acidentes. Já a BR-153 é considerada uma das rotas mais sobrecarregadas para quem segue em direção ao Centro-Oeste, dificultando o acesso a mercados estratégicos e bases distribuidoras.
Outro ponto citado é a necessidade de melhorias na manutenção de estradas vicinais, essenciais para o escoamento da cana-de-açúcar até as usinas e para a distribuição interna de combustível.
Setor aposta em integração logística para sustentar crescimento
Para analistas, o sucesso do Triângulo Mineiro no ciclo de expansão do etanol dependerá não apenas da produção agrícola e industrial, mas também da capacidade de integrar sua logística a novos corredores de transporte. A conclusão do Anel Viário Sul, somada a projetos de duplicação de rodovias federais e estaduais, deve formar um ambiente mais favorável para investimentos privados.
A expectativa é de que, com infraestrutura mais robusta, o Triângulo fortaleça sua posição como um dos principais polos energéticos do país, sustentando a demanda crescente por biocombustíveis em um cenário de transição energética.
