Governo de Minas investe em inovação e crédito para fortalecer cafeicultura

Com investimento de R$ 1,6 bilhão em crédito e foco em inovação tecnológica, estado busca aumentar valor agregado e competitividade dos cafeicultores mineiros no mercado global

Sirley de Araújo
A imagem mostra um cafesal em um morro.
Foto: Divulgação

Atualmente, Minas Gerais consolida sua posição como líder absoluto na produção e exportação de café. Contudo,além de manter o topo do ranking nacional, o estado foca agora em agregar valor ao produto. Com esse propósito, o Governo de Minas vem incentivando a competitividade do setor, sobretudo por meio de aportes em tecnologia e linhas de crédito acessíveis para empreendedores de diversas regiões.”

Uma das principais ferramentas dessa estratégia é o programa Compete Minas. Coordenado pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede-MG) e pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), o projeto injeta recursos públicos em inovação. Desde 2022, o Estado destinou mais de R$ 4,9 milhões exclusivamente a pesquisas voltadas ao café.

Lucas Mendes, subsecretário de Ciência, Tecnologia e Inovação da Sede-MG, destaca o papel da modernização. “Em Minas, o café integra a economia, a cultura e o cotidiano, além de caminhar lado a lado com a inovação. Ele afirma que projetos de ciência, tecnologia e inovação impulsionaram toda a cadeia produtiva do setor nos últimos anos.”

Inovação a serviço da tradição mineira

A eficiência logística também entrou na mira dos investimentos. Em Varginha, a empresa V Software utiliza inteligência artificial e realidade aumentada para otimizar a exportação de grãos. O projeto recebeu cerca de R$ 420 mil do edital Compete Minas. Segundo Rafael Rodrigues, sócio-diretor da empresa, o foco é a segurança do fluxo logístico.

“O coordenador do projeto destaca que esses pontos garantem a competitividade do café no mercado internacional, pois o produto de alto valor agregado exige qualidade, prazo e conformidade.” Além disso, nota-se um impacto direto na economia, uma vez que a expectativa para este ano é de uma colheita de 32,4 milhões de sacas, resultando em um salto de 25,9% em relação ao período anterior

Crédito impulsiona cafeicultores e sustentabilidade

O suporte financeiro é, inevitavelmente, outro pilar fundamental. Nesse sentido, nos últimos cinco anos, o Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) liberou mais de R$ 1,6 bilhão via linha Funcafé. Tal iniciativa tem por objetivo permitir que o produtor invista em infraestrutura e, consequentemente, em práticas sustentáveis.

Para Gabriel Viégas Neto, presidente do BDMG, a meta é ampliar esse alcance. “Os cafeicultores mineiros são referência em produção e, cada vez mais, têm adotado técnicas sustentáveis de produção que elevam o padrão de qualidade dos grãos”, explica o executivo.

“Um exemplo prático dessa evolução vem de Patrocínio, no Alto Paranaíba. Nessa localidade, o produtor Lázaro Ribeiro de Oliveira, da Fazenda Congonhas Estate Coffee, adotou a agricultura regenerativa. Como resultado direto do uso de biológicos e da cobertura de solo, ele conquistou, finalmente, certificações internacionais.” “O café ganha em qualidade e é mais bem visto no mercado. Trabalhamos com variedades de arábica que traduzem diversas notas sensoriais”, conclui o proprietário.

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