Triângulo Mineiro resiste à queda acentuada na produção de laranja no cinturão citrícola

Estimativa do Fundecitrus mostra que o Triângulo Mineiro mantém estabilidade produtiva, apesar da queda de 12,9% na safra total de laranja entre MG e SP

Sirley de Araújo
A imagem mostra uma laranja no pé
Foto: Divulgação

A colheita de laranja no Triângulo Mineiro e no interior de São Paulo deve registrar uma queda de 12,9% na temporada 2026/27. O Fundecitrus divulgou os números na manhã desta sexta-feira (8) e revelou um cenário desafiador para os produtores mineiros, que integram o cinturão citrícola mundial.”

Mesmo com o recuo generalizado no setor, Minas Gerais resiste e sustenta indicadores positivos.” Enquanto grandes polos paulistas sofrem com perdas severas, áreas irrigadas conseguiram mitigar parte dos prejuízos causados pelo clima extremo. Ao todo, a estimativa para o cinturão é de 255,2 milhões de caixas, contra as 292,94 milhões do ciclo anterior.

Triângulo Mineiro se destaca pela estabilidade no número de frutos

Diferente de outras 10 regiões do cinturão que apresentaram decréscimo, o Triângulo Mineiro foi uma das raras exceções a manter a estabilidade na quantidade de frutos por árvore. Especialistas afirmam que a tecnologia e o manejo eficiente garantiram esse resultado.

O diretor-executivo do Fundecitrus, Juliano Ayres, destacou que a redução global da safra se deve principalmente ao menor pegamento dos frutos. “Frutos por árvore é o fator número um, que determina a redução da safra em praticamente 13%. Nós teremos 17% menos frutos por árvore”, afirmou Ayres, ressaltando que o Triângulo Mineiro conseguiu escapar dessa tendência negativa de queda drástica por planta.

Clima e greening desafiam os citricultores mineiros

Apesar da estabilidade no número de frutos na região, o setor não está livre de riscos. A forte estiagem iniciada em maio de 2025 impôs um estresse hídrico severo aos pomares. Além disso, as temperaturas de setembro ficaram até 28% acima da média histórica, o que prejudicou as floradas.

Outro ponto de atenção constante em Minas Gerais é o greening. A doença, que não tem cura e exige a erradicação imediata das plantas, continua sendo o maior desafio fitossanitário. O controle rigoroso nos pomares mineiros é o que tem garantido que a região não sofra as perdas catastróficas observadas em cidades como Porto Ferreira e Matão, em solo paulista.

Perspectiva de preços e mercado para 2026

Com a oferta de laranja 14,7% abaixo da média histórica dos últimos dez anos, portanto, a tendência é de manutenção dos preços elevados para a indústria e o consumidor final. No que tange ao produtor de Minas Gerais, o cenário exige cautela e investimento contínuo em irrigação para enfrentar a bienalidade da cultura e as variações climáticas.

O levantamento, realizado com apoio da Unesp, aponta que o peso médio dos frutos deve ser maior nesta safra, o que, por sua vez, compensa parcialmente a redução no volume total de caixas. A margem de erro da estimativa é de cerca de seis milhões de caixas, mantendo assim o mercado em sinal de alerta até o início efetivo da colheita.

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