A deputada federal Ana Paula Leão está entre os três parlamentares de Minas Gerais que destinaram recursos, por meio de emendas parlamentares, ao Instituto Terra e Trabalho (ITT) — entidade que se tornou alvo da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, que apura um esquema de desvios, lavagem de dinheiro e fraudes em contratos ligados ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A informação foi divulgada pelo portal O Fator, que levantou repasses feitos entre 2022 e 2024.
Segundo a reportagem, os deputados mineiros que enviaram recursos ao ITT foram:
- Euclydes Pettersen (Republicanos-MG) – R$ 2,5 milhões (valor integralmente pago)
- Eros Biondini (PL-MG) – R$ 5 milhões (valor empenhado e pago)
- Ana Paula Leão (PP-MG) – R$ 477,5 mil (emenda não paga)
Além disso, há uma emenda coletiva da bancada mineira, no valor de R$ 285 mil, cujo autor individual não é identificado.
As investigações
A PF identificou que o ITT funcionava como peça-chave da organização criminosa ligada à Conafer (Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais), apontada como responsável por desviar R$ 637 milhões de um convênio de R$ 708 milhões firmado com o INSS. O instituto recebia recursos e os distribuía para empresas de fachada, segundo a investigação.
O presidente do ITT, Vinícius Ramos da Cruz, foi preso preventivamente. Ele é cunhado de Carlos Roberto Ferreira Lopes, líder da Conafer e apontado como um dos comandantes do esquema. A operação cumpriu 63 mandados de busca e apreensão em 15 estados.
Situação dos deputados
Apesar dos repasses feitos à entidade investigada, somente Euclydes Pettersen é formalmente investigado até o momento. A PF aponta que Pettersen recebeu ao menos R$ 14,7 milhões em propinas, identificados em planilhas e depósitos fracionados. Ele era citado pelo apelido “Herói E” e seria, segundo a investigação, o político mais bem remunerado da estrutura criminosa.
Já Eros Biondini afirmou que recebeu o projeto durante reunião da bancada mineira e que buscou cancelar a emenda ao tomar conhecimento das suspeitas, sem sucesso. Ele acionou TCU, CGU e MPF pedindo acompanhamento rigoroso.
No caso de Ana Paula Leão, o valor de R$ 477,5 mil não foi pago.

Nota oficial de Ana Paula Leão
Em nota enviada ao Regionalzão, a deputada afirma que sua relação com o ITT foi “institucional” e que já atuou para impedir qualquer repasse:
NOTA OFICIAL – ASSESSORIA DA DEPUTADA ANA PAULA LEÃO:
“A deputada federal Ana Paula Leão, subscritora do requerimento da CPMI do INSS, atua em defesa e na promoção dos produtores rurais, especialmente dos produtores de leite. Por isso, no ano passado, destinou uma emenda voltada ao fomento do Programa de Melhoramento Genético do Instituto Terra e Trabalho, recurso que ainda não foi pago.
Diante dos desdobramentos envolvendo o Instituto, ela já oficiou o Ministério da Agricultura e Pecuária solicitando que não realize qualquer pagamento à entidade, suspendendo a execução da emenda.
A relação da deputada com o instituto foi e é estritamente institucional, assim como ocorre com diversas organizações do setor agropecuário que apresentam projetos voltados ao desenvolvimento da produção nacional.
A deputada permanece à disposição para colaborar com todas as apurações.”
Conclusão
O caso segue em investigação na Polícia Federal e será analisado também pela CPMI do INSS, da qual Ana Paula é subscritora. A tendência é que os parlamentares que destinaram recursos ao ITT acabem sendo chamados a prestar esclarecimentos, ainda que não haja indícios, até o momento, de envolvimento direto da deputada mineira nas irregularidades investigadas.


