A prisão de Jair Bolsonaro nesta segunda-feira (04) não é um ponto fora da curva, mas sim o resultado direto de decisões calculadas — dentro de uma estratégia de alto risco. A base legal usada pelo ministro Alexandre de Moraes já era clara: o ex-presidente estava proibido de usar redes sociais de terceiros. Bolsonaro ignorou a regra.
No último domingo, durante manifestações em diversas cidades, incluindo a Avenida Paulista e a Praia de Copacabana, Bolsonaro apareceu ao vivo, via celular, ao lado do senador Flávio Bolsonaro, no Rio de Janeiro. O vídeo foi imediatamente reproduzido nas redes sociais do próprio Flávio e apagado logo em seguida.
Nos bastidores do bolsonarismo fora da massa de manobra, a prisão já era tratada como iminente. A aposta, no entanto, é ainda mais ousada: integrantes do núcleo duro acreditam que o endurecimento contra Bolsonaro pode provocar uma reação do governo americano — especialmente de Donald Trump, aliado ideológico.
A leitura nos bastidores é que a suposta aplicação da Lei Magnitsky por Trump contra o ministro Alexandre de Moraes teria sido motivada por “raiva” diante da imposição da tornozeleira eletrônica a Bolsonaro. A lógica é simples (e perigosa): quanto mais duro for o Judiciário brasileiro, maior a chance de uma retaliação internacional.
A dúvida agora é até onde essa estratégia pode ir. O cerco jurídico se fechou. A prisão foi cavada. Mas o que está em jogo pode ser ainda mais grave: a própria estabilidade institucional do país.
Conteúdo faz parte da Coluna Poder, assinada por Adelino Júnior, que acompanha os bastidores da política no Triângulo Mineiro.
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