A reação do prefeito de Paulo Sérgio após a matéria do Regionalzão reacendeu o debate sobre a crescente disputa narrativa envolvendo obras, entregas e articulações com governos de diferentes espectros. Em um longo texto nas redes sociais, o gestor voltou a dizer que “não quer saber se é esquerda ou direita” — frase que provocou elogios, críticas e disputas internas no grupo político da cidade.
A fala ocorre em um momento em que aliados e adversários tentam enquadrá-lo ideologicamente. Nomes próximos da deputada federal Ana Paula Leão, como o vereador Abatenio, têm insistido em associar Paulo à esquerda. Dentro da prefeitura, a leitura é de que o post divulgado nesta semana foi também uma resposta indireta a esse movimento.
O prefeito afirmou que compreende o jogo ideológico no Legislativo, mas insistiu que a prefeitura trabalha para toda a cidade. “Quem está no Executivo precisa cuidar da cidade inteira e não pode separar as pessoas entre quem concorda e quem discorda”, escreveu.
Campanha sem ideologia
Paulo Sérgio recordou que sua campanha de 2024 não foi baseada em polarização. Contudo, o argumento gera contestação entre analistas políticos, já que o apoio direto do ex-presidente Jair Bolsonaro e a desistência do Deputado Estadual Cristiano Caporezzo foram fatores decisivos para a vitória ainda no primeiro turno. Mesmo assim, o prefeito insiste que o compromisso assumido foi com desenvolvimento e resultados práticos. “Quando estou na prefeitura, eu represento a cidade toda”, reforçou.
O discurso aparece no meio de um cenário de forte exposição do prefeito ao lado de parlamentares de partidos diferentes — algo que eleva a temperatura política local. A presença constante em Brasília e Belo Horizonte, articulando obras e recursos, virou também um ponto de ataque por parte de grupos que cobram maior definição ideológica.
Comentários elogiosos indicam alinhamento de apoiadores
A publicação recebeu uma enxurrada de comentários positivos, destacando gestão republicana, foco em resultados e atuação acima da polarização. Entre as manifestações:
- “O dinheiro não é da esquerda ou da direita, mas sim do povo.”
- “Isso sim é uma liderança de respeito.”
- “Prefeitura não pode ficar refém de polarização.”
- “Parabéns pela postura republicana.”
A repercussão reforça que parte significativa da base do prefeito abraçou a narrativa de que neutralidade política é estratégia de proteção institucional — e não ausência de posicionamento.
Movimento calculado para 2025 e 2026

Nos bastidores, lideranças avaliam que o posicionamento também mira a reorganização do tabuleiro para 2026. Ao se apresentar como gestor de diálogo amplo, Paulo Sérgio tenta se diferenciar de figuras mais ideológicas e, ao mesmo tempo, evitar ruídos com deputados que viabilizam recursos para a cidade.
Internamente, a análise é que o prefeito busca blindar a gestão de conflitos partidários, mantendo margem de manobra com Brasília e com o Palácio Tiradentes. O gesto de elogiar deputados de vários espectros faz parte dessa equação.
Conteúdo faz parte da Coluna Poder, assinada por Adelino Júnior, que acompanha os bastidores da política no Triângulo Mineiro.
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Era só ele ter esse discurso na campanha. Mas aí ele não ganharia do Caporezzo. Agora que ganhou mostrou sua verdadeira face. Mais um político canalha e mau caráter entre tantos que existem. Que seja o primeiro e último mandato.