A aprovação, em 1º turno, do projeto de privatização da Copasa pela Assembleia Legislativa — com 50 votos favoráveis e 17 contrários — reorganiza forças políticas em Minas e acende alertas no Triângulo Mineiro, onde o tema impacta diretamente municípios que já enfrentam disputas por contratos de saneamento. A proposta ainda precisa passar pelo 2º turno, mas o placar mostra que o Palácio Tiradentes se inclinou majoritariamente para o lado do governo Romeu Zema.
Entre os deputados com bases políticas em Uberlândia, Araguari, Araxá, Patrocínio e cidades de influência regional, o comportamento revela tanto alinhamentos consolidados quanto ausências que chamaram atenção.
O que é o projeto de privatização da Copasa
O texto autoriza o governo de Minas a alienar ações da Copasa, permitindo a entrada da iniciativa privada no controle da companhia. A proposta é parte do pacote de reforma fiscal defendido por Zema e prevê:
- possibilidade de concessão plena dos serviços;
- mudanças no modelo tarifário;
- metas de melhoria de cobertura e eficiência;
- reorganização de contratos com municípios.
A oposição argumenta que a privatização pode elevar tarifas e prejudicar cidades menores. Já o governo afirma que o modelo atual não entrega avanços suficientes e que a entrada do capital privado aceleraria investimentos.
COMO VOTARAM OS DEPUTADOS DO TRIÂNGULO MINEIRO
Arnaldo Silva (União Brasil) – Uberlândia
Voto: Sim
Apoiou integralmente o projeto e reforçou alinhamento ao governo Zema. Movimento esperado, já que Arnaldo integra a base mais fiel ao Executivo.
Bosco (Cidadania) – Araxá
Voto: Sim
Bosco manteve posição governista, fortalecendo sua atuação regional ao lado do bloco pró-privatização.
Leonídio Bouças (PSDB) – Uberlândia
Voto: Sim
Apesar de tensões entre o PSDB e o governo, Leonídio apoiou a proposta. O gesto sinaliza tentativa de reposicionamento do partido após desgastes recentes.
Maria Clara Marra (PSDB) – Patrocínio
Voto: Sim
A deputada acompanhou a maioria da legenda e reforçou o discurso de modernização do setor.
Raul Belém (Cidadania) – Araguari
Voto: Sim
Belém manteve coerência com seu histórico e votou alinhado às pautas econômicas defendidas pelo governo.
Cristiano Caporezzo (PL) – Uberlândia
Voto: Ausente
A ausência chamou atenção. O PL votou majoritariamente sim, e Caporezzo, que vinha sustentando discursos duros contra a Copasa, optou por não registrar voto. O gesto gerou ruídos internos.
Elismar Prado (PSD) – Uberlândia
Voto: Ausente
O PSD apoiou, em peso, a privatização. A ausência de Elismar cria dúvidas sobre sua posição política num momento em que o partido tenta reforçar unidade para 2026.
Situação de Uberlândia: cidade não é atendida pela Copasa
Apesar da relevância do debate em Minas Gerais, é importante destacar que Uberlândia não é atendida pela Copasa. O serviço de água e esgoto do município é operado pelo DMAE, autarquia municipal consolidada e independente.
Mesmo não sendo diretamente impactada pela privatização, a cidade acompanha o processo por causa dos reflexos políticos e econômicos no estado — especialmente na relação com municípios próximos que dependem da companhia.
Conteúdo faz parte da Coluna Poder, assinada por Adelino Júnior, que acompanha os bastidores da política no Triângulo Mineiro.
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