A Câmara Municipal de Uberlândia chegou, nesta semana, ao sexto pedido de cassação do atual mandato — um número que evidencia o clima de tensão e a escalada de representações entre grupos rivais do Legislativo. O caso mais recente envolve o vereador Adriano Zago, alvo de uma nova denúncia que aponta uso indevido do plenário.
Em meio ao cenário de desgaste institucional, o presidente da Casa, Zezinho Mendonça, concedeu entrevista exclusiva à Coluna Poder para comentar a sucessão de denúncias e a atuação da Mesa Diretora. Segundo ele, a Procuradoria da Câmara tem adotado rigor técnico para filtrar o que é fato e o que é apenas disputa política.
Denúncia vazia não vai prosperar”, afirmou o presidente.
Um mecanismo que virou arma política
Os seis pedidos de cassação protocolados desde o início da legislatura revelam uma dinâmica pouco comum em Legislativos municipais. O instrumento — previsto para situações excepcionais — passou a ser utilizado como parte da estratégia política de diferentes grupos.
Nos bastidores, parlamentares admitem que a frequência das denúncias tem provocado desgaste interno e ampliado a percepção de conflito permanente. Representações envolvendo Adriano Zago, Edinho do Combate ao Câncer, Queijinho e até o vice-prefeito Pelizzer reforçam o caráter cada vez mais turbulento do ambiente político.
Zezinho reconhece a mudança de clima: “O que está acontecendo é uma guerra política. Mas não podemos permitir que isso vire rotina. O vereador tem que ter liberdade para investigar, mas também responder se errar”, afirmou.
A posição da Procuradoria
Segundo o presidente, a filtragem técnica das denúncias tem sido essencial para evitar que o processo de cassação seja banalizado.
“Tem denúncia que tem fundamento, e aí não tem jeito: vai para plenário. Mas quando a Procuradoria vê que não há subsídio, que é só denuncismo, não tem como seguir”, disse Zezinho.
Assessores próximos ao comando da Casa afirmam que a orientação interna é evitar que o Legislativo se torne um palco de disputas baseadas apenas em narrativas, sem elementos mínimos que justifiquem abertura de comissão.
Prioridade: evitar desgaste institucional
Embora a tensão seja evidente, o presidente reforça que a função central da Câmara precisa ser preservada.
“Eu falei para os vereadores: temos que pensar na cidade de Uberlândia. Essa guerra aí não pode tomar o lugar do trabalho. Nosso foco tem que ser a cidade”, afirmou.
Mesmo assim, há consenso entre parlamentares de que a sucessão de denúncias deixará marcas no ambiente político até as eleições de 2026. Cada representação gera repercussão, polarização e novos atritos, ampliando o desgaste público da Casa.
O caso Zago e os próximos capítulos
A nova denúncia contra Zago — que inclui documentos, prints, vídeos e questionamentos sobre uso do plenário — deve reacender o debate sobre os limites do processo disciplinar. A tendência, segundo integrantes do Legislativo, é que o tema volte ao plenário nas próximas semanas.
Independentemente do resultado, o sexto pedido de cassação já produz um efeito imediato: expõe a fragilidade do ambiente interno e obriga a direção da Casa a reforçar o filtro técnico para evitar que o mecanismo se torne um atalho para disputas políticas.
Conteúdo faz parte da Coluna Poder, assinada por Adelino Júnior, que acompanha os bastidores da política no Triângulo Mineiro.
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