A Rede Maravilha 89.7 FM foi oficialmente inaugurada em Uberlândia no início de novembro, com a presença do ex-deputado federal Eduardo Cunha. O evento marcou a chegada da emissora cristã à cidade, dentro de um plano mais amplo de expansão da rede de rádios evangélicas que Cunha tem adquirido nos últimos anos pelo Triângulo Mineiro.
De acordo com o convite oficial, a rádio tem como missão “proclamar o Evangelho da Paz, levando fé, esperança e edificação por meio de uma programação de excelência”. A inauguração aconteceu na Avenida Cesário Alvim, no Centro da cidade, reunindo lideranças religiosas e convidados ligados à comunicação cristã. Entre os presentes, chamou atenção a presença do ex-senador Weliton Salgado ao lado de Cunha — uma figura tradicional da política de Uberlândia e que reforça o peso político do evento. na Avenida Cesário Alvim, no Centro da cidade, reunindo lideranças religiosas e convidados ligados à comunicação cristã.
Expansão estratégica
A nova estação integra um conjunto de pelo menos dez rádios com perfil gospel na região, segundo apuração do Regionalzão. Cunha tem apostado nesse formato como base de influência política e de fortalecimento junto ao público evangélico — grupo que desempenha papel central nas disputas eleitorais recentes.
O movimento não é isolado. Em Uberaba, o ex-deputado já havia lançado a 89.3 FM, da mesma rede, consolidando sua presença no eixo religioso-comunicacional do Triângulo. O perfil oficial da rádio celebrou a inauguração com a frase: “Seja bem-vinda, Uberaba (89.3) e Uberlândia (89.7), à Rede 89 Maravilha de Rádio”.
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Retorno ao cenário político
Figura central na política nacional na década passada, Cunha presidiu a Câmara dos Deputados durante o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e mantém articulação ativa nos bastidores.
Cassado em 2016 por quebra de decoro parlamentar, após acusações de corrupção no âmbito da Operação Lava Jato, Cunha ficou inelegível por oito anos. Atualmente, ele está filiado ao Republicanos, legenda que tem ampliado sua atuação entre lideranças evangélicas e políticos de direita no país.
Em junho de 2022, o TRF-1 suspendeu os efeitos da condenação que impediam sua candidatura. Em agosto, o ministro Luiz Fux suspendeu essa decisão, mas em setembro o TRE-SP considerou que Cunha podia concorrer. No pleito de outubro, ele recebeu 5.044 votos para deputado estadual por São Paulo, pelo PTB, não sendo eleito. Sua filha, Danielle Cunha (União Brasil), foi eleita deputada federal pelo Rio de Janeiro, com 75.810 votos.
Após o resultado, Cunha iniciou movimento de transferência de domícilio eleitoral para Minas Gerais, com citações a Uberaba e Belo Horizonte como possíveis bases. Ainda não há confirmação pública de onde o título foi registrado, mas a estratégia reflete a tentativa de se reerguer politicamente fora de São Paulo, ampliando influência na região do Triângulo Mineiro.
A expansão midiática na região é vista por aliados como parte de uma estratégia de reposicionamento, que combina discurso religioso e influência regional para pavimentar o caminho de um possível retorno à vida pública.




