A entrevista concedida pelo senador Carlos Viana (Podemos), presidente da CPMI do INSS, ao jornal O Tempo há dois dias ganhou um novo significado após o vazamento dos nomes dos parlamentares mineiros que enviaram emendas ao Instituto Terra e Trabalho (ITT) — entidade alvo da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal.
Viana afirmou que três deputados federais de Minas Gerais estavam ligados ao envio de emendas para o ITT e que todos seriam chamados a prestar esclarecimentos. Na ocasião, ele se recusou a revelar os nomes alegando sigilo. Agora, com os dados divulgados pelo portal O Fator, torna-se claro que os parlamentares citados pelo presidente da CPMI eram:
- Euclydes Pettersen (Republicanos-MG)
- Eros Biondini (PL-MG)
- Ana Paula Leão (PP-MG)
A deputada Ana Paula Procópio Junqueira destinou R$ 477,5 mil ao ITT por meio de emenda voltada ao melhoramento genético de produtores de leite. O recurso, porém, não chegou a ser pago. Ainda assim, pela fala de Viana, o simples ato de enviar a emenda já é motivo suficiente para convocação.
O que disse Carlos Viana
Na entrevista, Viana deixou claro que:
“São três deputados federais mineiros já identificados com emendas dadas ao Instituto Terra e Trabalho. Eles serão chamados pelo Supremo Tribunal Federal, e se houver qualquer inconsistência nos depoimentos, serão encaminhados ao Conselho de Ética.”
Ele reforçou ainda:
“Há outros mineiros que também levaram emendas para o Instituto Terra e Trabalho. Eles serão chamados (…) e naturalmente terão que explicar.”
Na época, a fala parecia vaga, já que apenas o nome de Pettersen havia sido divulgado como alvo da operação. Agora, com a revelação de O Fator, as declarações encaixam-se perfeitamente no cenário envolvendo Ana Paula Leão e Eros Biondini.

O impacto após o vazamento
A partir do momento em que os valores foram revelados, a fala de Viana passa a apontar diretamente para os três parlamentares. No caso de Ana Paula, embora o recurso não tenha sido pago, a emenda existe formalmente, o que a coloca no grupo mencionado pelo senador.
O presidente da CPMI também mencionou que os parlamentares receberam movimentações financeiras oriundas de entidades ligadas ao esquema — ponto que ainda deverá ser detalhado pela investigação.
Nota oficial de Ana Paula Leão
A deputada afirma que sua relação com o ITT foi estritamente institucional e que já solicitou ao Ministério da Agricultura e Pecuária que não realize qualquer pagamento à entidade:
NOTA OFICIAL – ASSESSORIA DA DEPUTADA ANA PAULA LEÃO:
“A deputada federal Ana Paula Leão, subscritora do requerimento da CPMI do INSS, atua em defesa e na promoção dos produtores rurais, especialmente dos produtores de leite. Por isso, no ano passado, destinou uma emenda voltada ao fomento do Programa de Melhoramento Genético do Instituto Terra e Trabalho, recurso que ainda não foi pago.
Diante dos desdobramentos envolvendo o Instituto, ela já oficiou o Ministério da Agricultura e Pecuária solicitando que não realize qualquer pagamento à entidade, suspendendo a execução da emenda.
A relação da deputada com o instituto foi e é estritamente institucional, assim como ocorre com diversas organizações do setor agropecuário que apresentam projetos voltados ao desenvolvimento da produção nacional.
A deputada permanece à disposição para colaborar com todas as apurações.”
Próximos passos
Com as declarações de Carlos Viana e o cruzamento dos dados revelados pela imprensa, o cenário aponta para uma convocação iminente dos três parlamentares mineiros pela CPMI. A comissão deve intensificar questionamentos sobre a origem das emendas, a relação com o ITT e possíveis inconsistências identificadas durante a investigação.
A deputada Ana Paula Leão, mesmo com recurso não pago, deve ser chamada a depor. A fala do senador torna isso praticamente certo.



