A reta final do ano legislativo trouxe um dos projetos mais estruturantes para a política esportiva de Uberlândia o Programa Uberlândia de Portas Abertas para o Esporte e Lazer, enviado pelo prefeito Paulo Sérgio A proposta cria um sistema de incentivo fiscal — com isenção de IPTU para clubes desportivos e recreativos — em troca de contrapartidas sociais, como abertura de vagas em escolinhas, cessão de espaços e apoio a projetos esportivos e paradesportivos.
Nos bastidores, o projeto é tratado como um “novo pacto” entre poder público e clubes tradicionais da cidade.
O que muda na prática
O texto institui três modalidades de parceria: incentivada, patrocinada e apoiada. A mais sensível politicamente é a incentivada, que concede isenção de IPTU — uma despesa significativa para clubes — desde que eles cumpram uma série de contrapartidas.
Entre as principais obrigações, os clubes deverão:
- oferecer vagas gratuitas em escolinhas e atividades extracurriculares para alunos da rede pública;
- abrir espaços para projetos voltados a pessoas com deficiência, idosos e grupos vulneráveis;
- disponibilizar arenas, quadras, campos e ginásios para eventos realizados ou apoiados pela Prefeitura;
- apoiar tecnicamente equipes que representem Uberlândia em competições.
“É uma troca estruturada: o poder público deixa de ser apenas arrecadador e passa a ser parceiro, exigindo retorno social”, afirmou um integrante do governo ouvido pela coluna.
Rota do turismo esportivo
Outro ponto estratégico do projeto é a criação das modalidades patrocinada e apoiada, que regulamentam como o Município pode investir financeiramente em eventos esportivos ou oferecer apoio institucional — como ordenamento de trânsito, limpeza urbana e suporte operacional.
A leitura interna é de que o governo quer posicionar Uberlândia na rota de grandes competições e congressos esportivos, aproveitando a rede hoteleira, o aeroporto e a capacidade logística da cidade.
Disputa interna entre clubes
Na avaliação de interlocutores da Câmara, o projeto deve abrir uma disputa silenciosa entre clubes pela composição das contrapartidas e pela visibilidade associada à chancela municipal. A formação da Comissão de Avaliação, que terá representantes do Executivo, Câmara, FUTEL e setor turístico, também será decisiva.
A regra de transição para 2026 — com adesão simplificada — tende a acelerar o processo e pode beneficiar entidades mais estruturadas já no primeiro ano.
Clima político para votação
O projeto chega ao Legislativo nos últimos dias de sessões ordinárias, que se encerram nesta sexta-feira (12/12). A leitura na base é de que o governo corre para deixar a pauta organizada antes do recesso, enquanto a oposição deve explorar dúvidas sobre critérios de isenção e fiscalização.
Ainda assim, fontes avaliam que o projeto deve avançar, pela pressão social positiva associada ao esporte e pela promessa de ampliação da estrutura disponível para políticas públicas sem novos gastos de construção.
Conteúdo faz parte da Coluna Poder, assinada por Adelino Júnior, que acompanha os bastidores da política no Triângulo Mineiro. Envie informações e sugestões à coluna pelo WhatsApp: (34) 99791-0994.
