As articulações na Câmara Municipal de Uberlândia se intensificam com a proximidade da votação da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026, que deve ocorrer até o dia 12 de dezembro. O levantamento interno mostra um retrato claro da correlação de forças: 920 emendas impositivas foram apresentadas para o próximo exercício, revelando movimentações estratégicas de grupos e vereadores.
O documento evidencia quem chega mais forte para a fase final das negociações — e quem pode enfrentar maior dificuldade na disputa por espaço político e execução das indicações.
Como funciona: todos têm o mesmo valor, muda apenas a divisão
Embora o ranking apresente grandes diferenças na quantidade de emendas apresentadas, o valor é exatamente o mesmo para todos os vereadores. Para 2026, cada parlamentar dispõe de R$ 2.833.034,46, sendo metade obrigatoriamente destinada à saúde.
O que varia é a forma como esse montante é fracionado. Alguns optam por poucas emendas, com valores maiores, focando em áreas estratégicas. Outros preferem dividir o recurso em dezenas de pequenas emendas, atendendo uma quantidade maior de entidades e ampliando capilaridade política.
Na prática, o ranking mostra o estilo de atuação de cada vereador, não a disponibilidade financeira — que é idêntica para todos.
O topo do ranking e o impacto eleitoral
O destaque absoluto é o vereador Sargento Ednaldo, que protocolou 106 emendas impositivas para 2026. O volume muito acima da média sugere forte inserção em bairros e entidades, além de um capital político relevante às vésperas de um ano que tende a reorganizar bases eleitorais.

Na sequência, outros nomes aparecem com peso expressivo:
- Prof. Ronaldo — 64 emendas
- Fabão — 45
- Jair Ferraz — 42
- Liza Prado — 41
- Adriano Zago — 38
Esse bloco concentra parte da disputa pela narrativa de atuação parlamentar e pela capacidade de atendimento às regiões da cidade.
O miolo e a disputa silenciosa
Um segundo grupo, com números entre 20 e 35 emendas, representa a maioria da Câmara. Nomes como Amanda Gondim, Delegada Lia Valecchi, Neemias Miquéias, Ivan Nunes, Elinho da Academia, Zezinho Mendonça e Abatenio mantêm volume médio, que deve pesar nas negociações internas com o Executivo.
É um grupo que forma o cinturão de estabilidade do plenário. Mas, na prática, é justamente esse bloco intermediário quem decide, na margem, a temperatura final da LOA.
Baixo volume também revela movimentos
Na parte inferior do ranking aparecem:
- Pezão do Esporte — 15 emendas
- Prof. Conrado — 13
- Thais Andrade — 14

Em anos não eleitorais esses números passariam despercebidos. Em 2026, porém, podem sinalizar opções estratégicas: menos pulverização de bases, foco em áreas específicas ou alinhamento direto com secretarias.
A regra legal das emendas impositivas
O Artigo 110-A da Lei Orgânica de Uberlândia determina que todas as emendas individuais apresentadas pelos vereadores devem ser obrigatoriamente executadas, salvo impedimento técnico devidamente justificado. A legislação exige execução orçamentária e financeira equitativa entre todos os parlamentares.
Pela regra atual, o valor total disponível por vereador em 2026 é de R$ 2.833.034,46, sendo que metade desse montante deve obrigatoriamente ser destinada à saúde — um total de R$ 1.416.517,46. A aplicação, entretanto, não pode ser usada para pagamento de pessoal.
O Executivo somente pode deixar de executar a emenda se comprovar impedimento técnico e, mesmo assim, o Legislativo deve indicar novo destino para garantir o cumprimento da lei.
Quantidade não significa necessariamente organização
Embora o ranking chame atenção pelos números, especialistas e vereadores experientes apontam que mais emendas não significa automaticamente melhor distribuição. Muitas vezes, altas quantidades refletem pulverização de bases, tentativas de atender diversas lideranças e estratégias eleitorais amplas.
Já vereadores que apresentam menos emendas, porém mais concentradas e com valores maiores, costumam ter maior taxa de execução e entregas mais visíveis. Na prática, a quantidade revela o estilo político, não necessariamente a eficiência.
| Vereador | Quantidade de Emendas |
|---|---|
| Sargento Ednaldo | 106 |
| Prof. Ronaldo | 64 |
| Fabão | 45 |
| Dr. Igino | 47 |
| Ângela do Postinho | 47 |
| Jair Ferraz | 42 |
| Liza Prado | 41 |
| Adriano Zago | 38 |
| Antônio Carrijo | 36 |
| Janaina Guimarães | 34 |
| Sérvio Túlio | 34 |
| Amanda Gondim | 32 |
| Gláucia da Saúde | 32 |
| Neemias Miquéias | 31 |
| Ronaldo Tannús | 31 |
| Antônio Augusto Queijinho | 30 |
| Zezinho Mendonça | 30 |
| Anderson Lima | 25 |
| Delegada Lia Valecchi | 26 |
| Ivan Nunes | 26 |
| Elinho da Academia | 21 |
| Nei Borges | 21 |
| Abatenio Marquez | 20 |
| Edinho Combate ao Câncer | 19 |
| Pezão do Esporte | 15 |
| Thais Andrade | 14 |
| Prof. Conrado Augusto | 13 |
O que esperar até o dia 12
Com o prazo final se aproximando e sem data exata para a votação, os próximos dias devem reunir:
- pressão de entidades e associações de bairro;
- tentativas de reorganização de blocos internos;
- costuras entre Executivo e vereadores;
- disputa por visibilidade às vésperas do ano eleitoral.
No papel, as 920 emendas representam demandas distribuídas por toda a cidade. Na prática, mostram um novo desenho de forças dentro da Câmara, que deve se refletir diretamente no ritmo político de 2026.
Reclamações sobre emendas antigas ainda não pagas
Nos bastidores, vereadores também relatam preocupação com a execução das emendas de anos anteriores. Parlamentares afirmam que diversas emendas de 2024 e 2025 ainda não foram pagas às entidades beneficiadas, apesar da obrigatoriedade prevista no Artigo 110-A da Lei Orgânica. A situação tem gerado desgaste interno e apreensão entre instituições que aguardam os repasses. A Coluna Poder solicitou um posicionamento oficial da Prefeitura de Uberlândia sobre o tema e aguarda resposta.
Conteúdo faz parte da Coluna Poder, assinada por Adelino Júnior, que acompanha os bastidores da política no Triângulo Mineiro.
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