A Câmara Municipal de Uberlândia encerrou, nesta sexta-feira (12), o primeiro ano da atual legislatura em ritmo intenso. A última sessão ordinária de 2025 começou às 9h e avançou até cerca de 16h30, sem intervalo, totalizando mais de sete horas de debates e votações.
O volume de matérias e o tempo estendido de plenário não foram casuais. O encerramento do ano legislativo virou uma espécie de “sessão de ajustes finos”, em que o governo buscou destravar projetos considerados prioritários e a Câmara consolidou decisões com impacto direto na gestão de 2026.
Pacote amplo e político
Ao longo da sessão, os 27 vereadores analisaram propostas que atravessam áreas sensíveis da administração pública. Houve deliberações sobre esporte, saúde, educação, desenvolvimento urbano, assistência social e planejamento territorial — um retrato do esforço da base governista em fechar o ano com a pauta limpa.
Entre os projetos aprovados, o Programa “Uberlândia de Portas Abertas” chamou atenção nos bastidores. A proposta cria incentivos fiscais para clubes esportivos, condicionados à abertura de espaços para programas públicos de esporte e lazer. Na prática, a medida reforça a lógica de contrapartidas sociais em troca de benefícios tributários, modelo que deve ganhar força em outras áreas da gestão.
Também avançou a atualização do regime jurídico das Organizações Sociais, alinhando a legislação municipal às normas federais. O discurso predominante foi o de fortalecimento da governança e da transparência, mas o tema segue sensível e tende a continuar no radar do debate político em 2026.
Recursos, território e planejamento
Outro ponto de peso foi a autorização para transferência de R$ 167,2 milhões a organizações da sociedade civil e entidades conveniadas ao longo de 2026. A medida assegura previsibilidade financeira, mas também concentra responsabilidades sobre fiscalização e execução.
Na área da educação, os vereadores aprovaram crédito suplementar de R$ 6,7 milhões para a Secretaria Municipal de Educação, recursos oriundos da devolução da sobra do duodécimo da própria Câmara — movimento que costuma ser usado politicamente como vitrine de austeridade institucional.
O plenário também enfrentou temas estruturais do desenvolvimento urbano. Foram aprovadas atualizações nas normas de parcelamento do solo, no zoneamento, no uso e ocupação do solo e nos limites do perímetro urbano, incluindo áreas consolidadas e a expansão do setor industrial. São decisões técnicas, mas com forte impacto político e econômico, especialmente em ano pré-eleitoral.
Fechamento e recesso
Ao final da sessão, o presidente da Câmara Municipal, vereador Zezinho Mendonça, declarou oficialmente encerrado o ano legislativo de 2025 e anunciou o recesso parlamentar.
O retorno das atividades está marcado para 2 de fevereiro de 2026, quando o plenário deve retomar os debates já sob o clima de articulações políticas mais intensas.

Conteúdo faz parte da Coluna Poder, assinada por Adelino Júnior, que acompanha os bastidores da política no Triângulo Mineiro.
Envie informações e sugestões à coluna pelo WhatsApp: (34) 99791-0994.
