O ano de 2026 marca o início do fim definitivo para um dos ícones urbanos mais reconhecíveis do Brasil. A partir de janeiro, a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) supervisionará a retirada de 75 orelhões remanescentes nas cidades de Uberlândia, Uberaba e Ituiutaba, no Triângulo Mineiro.
A medida é consequência do encerramento das concessões do serviço de telefonia fixa, ocorrido no final do ano passado. Com a mudança regulatória, as operadoras, incluindo a Algar Telecom, responsável pelos aparelhos na região, deixam de ter a obrigação legal de manter essa infraestrutura onerosa e pouco utilizada.
No total, segundo levantamento da agência reguladora, Uberaba é a cidade com o maior número de equipamentos a serem removidos nesta leva, somando 36 unidades. Em seguida aparecem Uberlândia, com 33 aparelhos, e Ituiutaba, com 6.
Em todo o território nacional, restam cerca de 38 mil aparelhos em funcionamento. A extinção, contudo, não será imediata em todos os locais. O cronograma prevê a manutenção dos telefones públicos apenas em localidades onde não há cobertura de sinal de telefonia móvel, com prazo limite de existência até 2028.
A desativação em massa reflete a obsolescência do serviço diante da popularização dos smartphones. Dados da Anatel indicam que o processo de retirada já vinha se acentuando: em 2020, o país ainda contava com cerca de 202 mil orelhões.
Como contrapartida pela desobrigação de manter os terminais, a Anatel determinou que as concessionárias (Algar, Claro, Oi, Sercomtel e Telefônica) redirecionem os recursos de manutenção para a expansão de redes de banda larga e melhoria da telefonia móvel (4G e 5G).
Abaixo, o quadro da remoção nas principais cidades do Triângulo:
| Cidade | Quantidade de Orelhões | Empresa Responsável |
| Uberaba | 36 | Algar |
| Uberlândia | 33 | Algar |
| Ituiutaba | 6 | Algar |

Embora hoje sejam vistos como “sucata” tecnológica, os orelhões desempenharam papel central na comunicação brasileira entre as décadas de 1970 e 2000. Eram o ponto de partida para contatos de emergência e o cenário clássico das chamadas a cobrar, aguardadas até “cair a ficha”.
O design do equipamento é uma invenção nacional. Criado em 1971 pela arquiteta sino-brasileira Chu Ming Silveira, o modelo, inicialmente batizado de Chu I e Tulipa, ganhou o apelido de orelhão pelo seu formato característico.
A forma não era apenas estética, mas funcional: a cúpula de fibra de vidro ou acrílico foi projetada para oferecer acústica adequada, projetando o som para fora e isolando o usuário do ruído urbano. O sucesso do design brasileiro foi tamanho que acabou exportado para países como China, Peru, Angola e Moçambique.
Agora, as carcaças remanescentes em Minas Gerais terão como destino a reciclagem, enquanto o setor de telecomunicações vira definitivamente a página para o mundo digital.
