Um vídeo que já circulou nas redes sociais reacendeu o debate sobre ataques de sucuris no país. As imagens, referentes a um caso registrado em maio de 2024, mostram o ferimento deixado na perna de um menino de 8 anos após uma mordida de cobra em uma represa de Uberlândia. À época, o episódio ganhou repercussão nacional e, agora, foi comentado pelo biólogo e influenciador Henrique Abrahão Charles, que soma mais de 2,5 milhões de seguidores no Instagram.
O ataque ocorreu dentro de uma RPPN (Reserva Particular do Patrimônio Natural) destinada exclusivamente à preservação ambiental e à pesquisa da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Segundo relato de moradores, a família teria acessado uma área proibida, o que aumentou o risco de acidente. Após a repercussão do caso, houve pressão de internautas para que o animal fosse capturado, mas órgãos ambientais e especialistas reforçaram que a cobra estava em seu habitat e que a reação fazia parte de um comportamento defensivo.
A criança recebeu atendimento médico, teve alta ainda naquele dia e passa bem.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Charles afirma que as marcas deixadas na perna do menino são típicas de uma mordida de sucuri. Ele explica que cobras grandes, mesmo sem dentes especializados para inocular veneno, deixam perfurações finas e riscos característicos quando seguram a presa.
“Sou especialista em sucuris e posso afirmar que muito provavelmente trata-se de uma mordida de sucuri”, disse. “Jacaré não faz esse tipo de marca. Pelo tamanho da boca e pelo padrão dos dentes, tudo indica que foi uma cobra grande áglifa.”
Segundo ele, o comportamento do animal reforça a hipótese de um ataque de defesa, não de predação. “Se fosse um ataque para comer, ela não teria soltado. Uma sucuri, quando se enrola, é muito difícil de tirar”, afirmou.
O biólogo também destacou que, apesar de raros, há registros de tentativas de predação por sucuris, incluindo o caso de uma criança de dois anos, mas não há documentação oficial de óbitos ou de pessoas devoradas pela espécie.
Na época, a mãe da criança relatou que o menino disse ter visto “um sapo” antes do ataque, algo que, segundo especialistas, pode indicar que a criança avistou a cabeça da cobra. Ela afirmou que acreditou inicialmente que o filho havia escorregado, mas notou o sangue e percebeu a gravidade.
A criança, que é autista, foi levada primeiro para a UAI Planalto e, depois, transferida para o Hospital de Clínicas da UFU. O ferimento atingiu apenas uma veia superficial, e não houve inoculação de veneno, já que sucuris não são espécies peçonhentas.


