O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou nesta quarta-feira (19), durante a COP30, o lançamento do “Edital Águas do Paranaíba”, iniciativa que destinará R$ 20 milhões para ações de restauração ecológica e revitalização de recursos hídricos na Bacia do Rio Paranaíba — região estratégica que corta Goiás e Minas Gerais. Metade dos recursos será aportada pelo BNDES e metade pela Axia Energia.
Com impacto direto em 61 municípios, sendo 37 deles em Minas Gerais, o edital integra o programa Floresta Viva, voltado à recuperação florestal em diferentes biomas. A bacia do Rio Paranaíba é uma das principais fontes de recarga hídrica do Centro-Oeste e do Triângulo Mineiro, além de abastecer zonas urbanas e áreas agrícolas fundamentais para a economia regional.

Minas Gerais no centro da agenda ambiental
Entre os objetivos da chamada pública estão a recuperação de áreas degradadas, recomposição de matas ciliares, melhoria da qualidade da água e fortalecimento de cadeias produtivas ligadas à restauração florestal. O edital prevê ainda capacitação de trabalhadores locais em etapas como coleta e produção de sementes, cultivo de mudas nativas, plantio e monitoramento — ações consideradas essenciais para ampliar o protagonismo de comunidades rurais mineiras no processo de restauração.
“A iniciativa reforça que o Cerrado tem papel estratégico na segurança hídrica do país. Só nos últimos dois anos e meio, o BNDES mobilizou R$ 7 bilhões para recuperação florestal no Brasil, com 280 milhões de árvores plantadas e mais de 70 mil empregos verdes gerados”, afirmou a diretora socioambiental do Banco, Tereza Campello. Ela ressaltou que o Rio Paranaíba, nascido em Minas Gerais, “é uma das principais veias d’água do Cerrado e exige investimentos consistentes”.
Quem pode participar
Podem se inscrever instituições sem fins lucrativos — associações civis, fundações, institutos, fóruns e movimentos — além de cooperativas legalmente constituídas há pelo menos dois anos. A seleção priorizará projetos alinhados a políticas públicas federais e estaduais voltadas à recuperação da vegetação nativa e que envolvam diretamente comunidades ribeirinhas, povos tradicionais e produtores rurais.
A deliberação final ficará a cargo do Comitê Gestor da CPR-Furnas, formado por representantes do MMA, MME e MIDR. Segundo Giuseppe Serra Seca Vieira, secretário-executivo da CPR-Furnas e secretário Nacional de Segurança Hídrica, o edital tem forte alinhamento com o Programa Nacional de Revitalização de Bacias Hidrográficas.
“A proposta amplia alternativas de restauração e revitalização dos recursos hídricos e reforça a resiliência hídrica do país”, afirmou.
Axia Energia mira impacto territorial em Minas
Responsável por 17% da geração nacional e 37% das linhas de transmissão do SIN, a Axia Energia cofinancia a iniciativa com o objetivo de ampliar ações socioambientais em áreas onde opera. Minas Gerais concentra parte expressiva das usinas e subestações da empresa.
“Ao unir esforços com o Novo PAC e o BNDES, ampliamos a escala da restauração ecológica em uma região crítica para a segurança hídrica. Recuperar áreas nativas melhora o solo, fortalece nascentes e amplia a recarga dos aquíferos”, disse Rodrigo Limp, vice-presidente da companhia.
Floresta Viva e COP30
Criado para fortalecer parcerias em restauração ecológica, o programa Floresta Viva já mobilizou cerca de R$ 470 milhões desde 2021. A nova fase, prevista para 2025, amplia o foco para os biomas Cerrado, Caatinga, Pantanal, Pampa e Mata Atlântica, com aporte inicial de R$ 100 milhões.
Durante a Cúpula dos Líderes da COP30, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, destacou que os investimentos em florestas desde 2023 alcançaram R$ 7 bilhões — o maior volume da história do Banco no setor. Entre os resultados divulgados estão 168 mil hectares restaurados e 54 milhões de toneladas de CO₂e capturadas.


