A captura de um pirarucu gigante no Rio Grande, entre Frutal e Itapagipe, reacendeu o debate sobre o avanço de espécies invasoras no Triângulo Mineiro e os riscos ambientais associados. O peixe, que pesou 124 quilos e mediu 2,07 metros, foi pescado no domingo, 23 de novembro, por um trio de amigos após mais de três horas de esforço.
Embora o episódio tenha ganhado repercussão pelo tamanho do animal, especialistas alertam para o problema ambiental que ele representa. O pirarucu, nativo da Amazônia, é considerado uma espécie invasora no Cerrado e tem potencial para alterar profundamente o equilíbrio ecológico de rios e represas da região.
Segundo levantamento recente de pesquisadores da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), 41 espécies invasoras já foram identificadas nas bacias do Rio Grande e do Paranaíba, que cortam o Triângulo Mineiro.

Pirarucu e outras invasoras
Fora de seu habitat natural, o pirarucu se torna um superpredador, pois como animais como pato, espécies nativas de marreco, sapo, rã, lagartos. A ausência de predadores naturais e a alta capacidade de adaptação favorecem o crescimento acelerado da espécie no Cerrado.
Outros peixes considerados problemáticos na região incluem:
- Tilápia-do-nilo e Tilápia rendalli (origem africana)
- Tucunaré-amarelo e Tucunaré-azul (nativos da Amazônia, mas invasores em outros biomas)
- Guaru ou Barrigudinho (nativos, mas invasores em ambientes alterados)
Como essas espécies chegam aos rios
Três principais vias explicam a disseminação de espécies invasoras no Triângulo Mineiro:
- Fuga de pisciculturas – Animais criados para consumo, como tilápia e pangasius, escapam de tanques danificados ou represas particulares.
- Pesca esportiva – Peixes não nativos são liberados para garantir atividade o ano todo, inclusive durante a piracema.
- Descarte de aquarismo – Espécies ornamentais que crescem demais ou se tornam agressivas, como o pirarucu, são soltas irregularmente.
O que fazer ao pescar um peixe invasor
A dúvida sobre o que fazer ao capturar uma espécie invasora é comum entre pescadores. A orientação, segundo especialistas, é clara: a espécie invasora não deve ser devolvida ao rio.
Se você pescou uma espécie invasora, não importa o tamanho, descarte. Soltar novamente o animal no ambiente é considerado crime ambiental, pois contribui para a proliferação da espécie e a continuidade dos impactos negativos.
Não há impedimento para o consumo ou doação do peixe, desde que o descarte seja adequado e respeite normas sanitárias.
Falta de conscientização agrava o problema
O principal obstáculo no controle dessas espécies é a percepção equivocada da população, pois as pessoas acreditam que, por o pirarucu ser do Brasil, ele pode estar em qualquer rio do país; ou que, por comprar tilápia no mercado, não há problema em encontrá-la nos nossos cursos d’água.
Com o avanço das invasoras e o aumento de registros no Triângulo Mineiro, pesquisadores reforçam a importância de conscientização e de ações corretas por parte de pescadores e frequentadores dos rios da região.


