Defesa da UEMG: plenário lotado marca audiência pública na Câmara de Ituiutaba

Carlos Cravinhos
Foto: Câmara Municipal

Na noite da última terça-feira, 3 de junho, a Câmara Municipal de Ituiutaba ficou completamente lotada. Isso ocorreu durante a audiência pública realizada para discutir os Projetos de Lei nº 3.733 e nº 3.738, de autoria do governador de Minas Gerais, Romeu Zema. As propostas preveem a cessão de imóveis da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) ao governo federal. Isso seria como forma de abatimento da dívida do estado com a União, dentro do Regime de Recuperação Fiscal (RRF).

Defesa da UEMG

O evento reuniu vereadores, lideranças políticas, professores, estudantes e representantes da sociedade civil em um ato de resistência e união em defesa da UEMG. A forte presença da comunidade acadêmica, com a participação expressiva de professores e alunos, foi um dos destaques da audiência. Ela se transformou em uma manifestação coletiva contra o desmonte do patrimônio público e da educação superior estadual.

Dívida do estado e patrimônio do governador

Entre as manifestações mais contundentes da noite, chamou atenção o pronunciamento do presidente da Câmara, vereador Chiquinho Tomaz. Em um discurso incisivo, o parlamentar criticou duramente o governador Romeu Zema. Ele questionou a contradição entre o aumento da dívida pública do estado e o crescimento do patrimônio pessoal do chefe do Executivo mineiro no mesmo período.

“Como é que se justifica um aumento bilionário na dívida de Minas Gerais enquanto o governador vê seu patrimônio pessoal se multiplicar? Esse é o EletroZebra”, afirmou Chiquinho.

Emenda ao projeto

Outro momento marcante da audiência foi a participação do deputado estadual Elismar Prado, que também se posicionou de forma firme contra os projetos do Executivo. O parlamentar apresentou uma emenda na ALMG solicitando a exclusão dos imóveis da UEMG do programa estadual de privatizações, o PROPAG. Ele alertou para os riscos da entrega de patrimônio educacional à União.

“A UEMG é um patrimônio do povo mineiro. A tentativa de incluí-la nesse projeto de desmonte é um retrocesso inaceitável. Nossa emenda visa garantir que esses imóveis permaneçam com o estado e continuem servindo à educação pública”, destacou Elismar.

Durante toda a audiência, o clima foi de união e mobilização. Faixas, cartazes e palavras de ordem expressavam o sentimento comum de resistência. As falas dos representantes da universidade reforçaram a importância da instituição para o desenvolvimento regional, o acesso à educação e a produção científica em Minas Gerais.

Foto: Câmara Municipal

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