O número de incêndios de origem elétrica no Brasil registrou um salto alarmante de 102% nos últimos cinco anos. Segundo dados do Anuário Estatístico da Abracopel (Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade), ano base 2025, as ocorrências passaram de 606 para 1.304 no período. Esse cenário reflete o uso inadequado de equipamentos e a falta de manutenção nas instalações domésticas.
Em Minas Gerais, a situação também preocupa as autoridades. Apenas no último ano, o estado registrou 148 incêndios desse tipo, o que representa um crescimento de 32% em comparação a 2024. Além dos danos materiais, a letalidade aumentou: o número de mortes no território mineiro passou de uma para três no intervalo de um ano.
Riscos fatais dentro de casa
As residências permanecem como o principal local para esse tipo de tragédia. No ano passado, quase 47% de todos os incêndios elétricos no país ocorreram em ambientes domiciliares. De acordo com o estudo, das 60 mortes contabilizadas no período, 51 aconteceram dentro de casa. Portanto, o ambiente que deveria ser de segurança acaba se tornando o mais perigoso devido à negligência com a rede elétrica.
Diante desse cenário crítico, a Cemig reforça a necessidade de medidas preventivas. Uma das principais recomendações é a instalação do Interruptor Diferencial Residual (IDR). Este dispositivo desliga a energia automaticamente ao detectar falhas ou fugas, prevenindo choques e focos de incêndio. Embora seja obrigatório por norma desde 1997, estima-se que menos da metade das casas brasileiras possuam o equipamento.
Como evitar sobrecargas e acidentes
A utilização de adaptadores conhecidos como “Ts” ou benjamins, além de extensões para ligar vários aparelhos simultaneamente, é um dos erros mais comuns. Essa prática causa o superaquecimento dos fios e pode gerar curtos-circuitos fatais. Além disso, equipamentos de alta potência como ar-condicionado, chuveiros e fritadeiras elétricas exigem circuitos exclusivos para não sobrecarregar a fiação antiga.
O gerente de Saúde e Segurança Corporativa da Cemig, José Firmo do Carmo Júnior, destaca que o planejamento é fundamental para a proteção da família. “É importante também que todas as casas tenham um projeto elétrico, o que facilita a manutenção e até a avaliação para o acréscimo de novas cargas. Além disso, qualquer serviço elétrico deve ser realizado por profissionais qualificados, para que não haja esse tipo de ocorrência”, explica o especialista.
Por fim, vale lembrar que aparelhos como ventiladores e carregadores de celular também figuram na lista de causas frequentes de incidentes. O uso de componentes originais e a revisão periódica por um eletricista particular são investimentos essenciais para evitar que um simples hábito doméstico se transforme em uma tragédia.

