A Justiça de Minas Gerais negou o pedido de liberdade da médica Claudia Soares Alves, acusada de envolvimento no assassinato da farmacêutica Renata Bocatto Derani, ocorrido em Uberlândia. Na decisão, publicada no último domingo (1º), o magistrado manteve a prisão preventiva da investigada e de seu vizinho, Paulo Roberto Gomes da Silva, também réu no processo.
Ao indeferir o pedido, o juiz Dimas Borges de Paula, da 3ª Vara Criminal da Comarca de Uberlândia, fundamentou a manutenção da custódia na necessidade de garantir a ordem pública e a conveniência da instrução criminal. Para o magistrado, a soltura dos acusados representaria um “risco social” diante da gravidade dos crimes imputados.
De acordo com as investigações da Polícia Civil, o homicídio teria sido motivado pelo desejo de Claudia de assumir a guarda da filha de Renata. A médica mantinha um relacionamento com o ex-marido da vítima, que rompeu a união após notar comportamentos obsessivos por parte da investigada.
O inquérito aponta que Claudia apresentava um “desejo compulsivo” pela maternidade. O delegado Eduardo Leal, responsável pelo caso, afirmou que a médica já havia tentado adoções fraudulentas e chegado a oferecer dinheiro para comprar um recém-nascido na Bahia.
Claudia Soares Alves, que é neurologista e ex-professora da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), já possuía histórico criminal recente. Em 2024, ela foi presa em flagrante após sequestrar uma recém-nascida no Hospital de Clínicas da UFU (HC-UFU).
Naquela ocasião, a médica utilizou documentos falsos para tentar registrar a criança como sua filha. Ela respondia a esse processo em liberdade desde março de 2025, mas voltou a ser detida em novembro do mesmo ano após o envolvimento na morte de Renata Bocatto Derani.
A primeira audiência de instrução do caso foi agendada para o dia 13 de março de 2026, às 15h, no Fórum de Uberlândia. Na ocasião, serão ouvidas as testemunhas de acusação, defesa e os réus.
- Defesa de Claudia Soares Alves: O advogado Vladimir Alves de Rezende informou que aguarda o julgamento de um habeas corpus protocolado no Superior Tribunal de Justiça (STJ), após pedido semelhante ter sido negado pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG).
- Defesa de Paulo Roberto: A advogada Consuelo Pupulin Rocha foi procurada, mas não atendeu aos chamados da reportagem até o fechamento desta edição.
Claudia permanece detida na Penitenciária Professor João Pimenta da Veiga. Paulo Roberto, acusado de fornecer apoio logístico e adulterar sinal identificador de veículo, está preso no Presídio Professor Jacy de Assis.

