
O morador de Uberlândia Vrajamani Fernandes Rocha, 23, foi atacado por um tigre há 11 anos durante uma visita ao zoológico de Cascavel, no oeste do Paraná. O caso, registrado em vídeo, chocou o país à época e levou à amputação do braço direito do menino, então com 10 anos.
Imagens da época mostram Vrajamani passando a mão nos animais selvagens entre as grades das jaulas. Em um dos registros, ele aparece acariciando um tigre, que se afasta e depois retorna. O menino toca o animal mais duas vezes até ser atacado. O momento exato da mordida não foi gravado, mas testemunhas relataram que o garoto foi socorrido pelo pai e por outros visitantes. A mordida dilacerou o braço da criança, que foi levada com urgência ao hospital.
Hoje, mais de uma década depois, o “menino do tigre” leva uma vida completamente diferente. Morando em Uberlândia, ele vive com a companheira, Maria Eduarda, e mantém uma rotina disciplinada de atleta profissional de natação. O ataque deixou sequelas graves, mas não o impediu de conquistar autonomia. “Faço meu café, treino todos os dias e sigo em frente”, disse em entrevista ao programa Domingo Espetacular, da Record.

Vrajamani começou a nadar aos 12 anos, incentivado pela mãe e por profissionais da reabilitação. O esporte, que inicialmente fazia parte do tratamento, acabou se tornando um propósito de vida. Desde janeiro de 2022, ele compete como atleta profissional e treina diariamente em um clube da cidade.
Sua história de superação também inspira outros atletas com deficiência. Um deles é Tiago Ferreira, que em 2015 sofreu um choque elétrico, ficou preso a um fio de alta tensão e precisou amputar os dois braços aos 14 anos. “Ver o Vrajamani competir e seguir com tanta força motiva todo mundo”, afirmou.
O acidente que mudou a vida do jovem ocorreu durante as férias com o pai, Marcos, e o irmão caçula. A visita ao zoológico foi uma iniciativa do pai. Antes de se aproximar do tigre, Vrajamani já havia tocado em um leão, também em uma área restrita, acessível apenas após pular uma grade. As imagens da época mostram o garoto oferecendo comida ao animal e tocando sua pata.
Hoje, Vrajamani afirma que não guarda medo nem ressentimento. “Aprendi a ter calma. A vida me ensinou a buscar disciplina, tranquilidade e foco”, resume.


