Em meio ao agravamento da crise ambiental que atinge o Rio Paranaíba, o prefeito de Cachoeira Dourada, Aleandro Francisco da Silva, conhecido como Candango, utilizou as redes sociais na última segunda-feira (30) para subir o tom contra órgãos federais e rebater críticas de adversários políticos.
O avanço de algas e plantas aquáticas, problema que persiste desde 2023, tem prejudicado o turismo na orla local, e comprometido o abastecimento de água do município. Em vídeos publicados em seu perfil oficial, o prefeito classificou a situação como “muito crítica” e afirmou que o rio “pede socorro”.
A fala do prefeito ocorre em um momento de desgaste político, com críticas da oposição que atribuem à gestão municipal a inércia diante da degradação da orla. Candango, por sua vez, argumenta que o Rio Paranaíba é de jurisdição da União e que o município tem atuado no limite de suas capacidades financeiras e legais.
Às vezes as pessoas querem atacar apenas o município, mas o Rio Paranaíba é de todos nós”, afirmou o prefeito. “Nós acionamos a União, o Ministério do Meio Ambiente e o Comitê de Bacias. O cidadão às vezes acha que é simplesmente ir lá e fazer um paliativo, mas as algas não acabam.”
Segundo a administração municipal, o Comitê de Bacias Hidrográficas do Rio Paranaíba já foi consultado para auxiliar em limpezas mecanizadas. No entanto, o custo de uma operação profissional de um quilômetro de extensão está estimado em R$ 280 mil, valor que a prefeitura considera inviável arcar sozinha sem o risco de ser acusada de má gestão de recursos públicos.
Impactos no abastecimento e turismo
A crise ambiental não se restringe à estética da prainha. De acordo com o prefeito:
- Abastecimento: As algas têm obstruído bombas e tubulações da Estação de Tratamento de Água (ETA), gerando interrupções no fornecimento para a população.
- Economia Local: O comércio na orla, pilar do turismo regional, registra dificuldades severas com a redução de visitantes.
- Ações Paliativas: A prefeitura tem utilizado maquinário da Secretaria de Agricultura para remoções manuais, solução que se mostra insuficiente diante da velocidade de reprodução do material orgânico.
Em tom eleitoral, Candango acusou críticos de utilizarem a crise de forma “suja e falsa”. Ele listou melhorias feitas na orla durante seu mandato, como iluminação de LED e sistemas de monitoramento, para separar a zeladoria urbana do problema ambiental sistêmico do rio.
“O verdadeiro herói aqui precisa ser o Rio Paranaíba”, concluiu, convocando a população a pressionar autoridades em instâncias superiores. Até o fechamento desta edição, o Ministério do Meio Ambiente não havia se pronunciado sobre o pedido de apoio do município.

